Feira de Caxixis 2026 celebra tradição tricentenária do artesanato no Recôncavo
Foto: Divulgação/Ascom Setur-BA Considerada a maior exposição de artesanato ao ar livre da América Latina, a Feira de Caxixis será realizada entre os...
Foto: Bruno Concha / Secom PMS
Durante décadas, a América Latina ocupou um lugar lateral no imaginário global. Reconhecida pelo talento, mas enquadrada como exótica, admirada pela criatividade, mas raramente colocada no centro. Agora, enquadramento começa a ruir, e o turismo ajuda a explicar por quê. Em 2025, o Brasil bateu recorde histórico ao receber quase 9,3 milhões de visitantes estrangeiros, alta de 37,1% em relação ao ano anterior, segundo dados oficiais do Ministério do Turismo. Parte da imprensa internacional, como a BBC News, passou a observar o país com mais atenção, mas os números apontam para algo maior: o Brasil deixou de ser apenas um destino ocasional e passou a integrar o mapa simbólico do desejo global.
Neste novo cenário, o Nordeste assume papel central. Capitais como Salvador, Recife, Fortaleza e João Pessoa registraram crescimento consistente na chegada de estrangeiros, impulsionadas não apenas por praias, mas por uma combinação de cultura viva, hospitalidade e experiência urbana. O que atrai não é só o cartão-postal, mas o ritmo da cidade, a música, comida e o corpo como linguagem cotidiana. Trata-se de um turismo menos contemplativo e mais imersivo, interessado em vivência, não apenas em paisagem.
O movimento dialoga com uma transformação cultural mais ampla. A chamada “ascensão latina” costuma ser celebrada, mas a expressão pouco explica. O que o mundo consome hoje não é apenas música ou destinos, mas uma forma específica de estar no mundo: humor irônico, estética do improviso, mistura entre festa e política, sobrevivência convertida em linguagem cultural. Séries em espanhol lideram audiências globais, artistas latinos dominam rankings de streaming e referências periféricas influenciam moda, publicidade e comportamento. O turismo acompanha essa virada, buscando experiências que expressem identidade, e não neutralidade.
No Brasil, esta leitura encontra terreno fértil. Dados do Banco Central indicam que os gastos de estrangeiros no país chegaram a US$ 7,86 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica. Relatórios internacionais apontam o Brasil como o país com maior crescimento proporcional no turismo global, à frente de destinos tradicionais. Ainda que a presença argentina tenha peso relevante neste resultado, o interesse se espalha por diferentes mercados e perfis de viajantes, atraídos por diversidade cultural, custo competitivo e um imaginário que hoje circula com mais força nas redes, no entretenimento e na moda.
O desafio, agora, é transformar visibilidade em permanência. O Brasil entrou na conversa global não apenas como destino turístico, mas como referência cultural contemporânea. O Nordeste, em especial, deixou de ser cenário e passou a ser protagonista vivo. Para sustentar a posição, será preciso ir além do fluxo e investir em estrutura, segurança e políticas de longo prazo. O mundo já demonstrou interesse. Cabe decidir se este momento será apenas tendência ou uma mudança real de patamar.
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