Festejos em honra ao Senhor do Bonfim seguem até domingo (18) na Colina Sagrada
Foto: Bruno Concha / Secom PMS Os festejos em honra ao Senhor do Bonfim continuam até este domingo, 18 de janeiro, na Colina Sagrada, em Salvador. Após a pausa...
Fotos: Bruno Concha / Secom PMS
Pequena no tamanho, mas carregada de significado, a fitinha do Senhor do Bonfim é um dos símbolos mais emblemáticos de Salvador e da Bahia. Presente nas igrejas, feiras populares e nos pulsos de moradores e visitantes, ela ultrapassa a condição de souvenir e se afirma como expressão de fé, sincretismo religioso e identidade cultural, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.
A origem da fitinha remonta ao século XIX, quando o objeto possuía características bem diferentes das atuais. Segundo o historiador Murilo Mello, a confecção era artesanal e distante do modelo industrializado conhecido hoje. “A fitinha do Bonfim não tinha essa produção em larga escala. Era feita em cetim ou linho, mais elaborada, bordada, com tintas na cor dourada e em tamanho bem maior”, explica.
Naquele período, o item era conhecido como “medida do Bonfim”, pois seguia uma proporção diretamente ligada à imagem do santo. “Ela correspondia à medida do braço da imagem, do peito até a ponta dos dedos”, detalha o historiador. A expressão aparece, inclusive, em manifestações culturais e na música popular brasileira, como na canção Trocando em Miúdos, de Chico Buarque, lançada em 1977 no álbum Passaredo.
Inicialmente, a produção da “medida do Bonfim” tinha também uma função prática: contribuir para a manutenção da Igreja. “A fita foi criada como uma peça maior e mais trabalhada para arrecadar recursos destinados à Irmandade do Senhor do Bonfim”, afirma Murilo. Apesar do valor elevado para a época, o objeto conquistou rapidamente o público. “Foi um sucesso absoluto”, pontua.
Com o passar do tempo, o uso da fita também se transformou. Antes, era comum vê-la pendurada em bolsas, usada no pescoço ou amarrada com nós, mas não no pulso. A versão menor, mais acessível e popular surge apenas na segunda metade do século XX, período em que a tradição se fortalece ainda mais e passa a inspirar outras devoções.
Tradição que emociona moradores e visitantes
Atualmente, a fitinha segue despertando curiosidade e emoção entre turistas que visitam Salvador. O empresário Sebastião Gomes de Freitas, de 69 anos, do Rio de Janeiro, esteve na capital baiana pela primeira vez e contou que já conhecia o símbolo por imagens vistas na mídia e nas redes sociais. Segundo ele, amigos que já visitaram a cidade apresentaram o ritual de amarrar a fita e fazer pedidos.
“Depois de conhecer a história, percebi que não é apenas um souvenir. A fitinha representa fé, esperança e uma conexão com a cultura local”, afirmou. Sebastião disse que pretende levar a fita como lembrança da viagem. “Vai ser uma forma de guardar esse momento especial sempre comigo.”
A estudante Ana Carolina Antunes, de 24 anos, do Rio Grande do Sul, também relatou que sabia pouco sobre o significado da fitinha antes de chegar a Salvador. Foi no Pelourinho que passou a conhecer melhor a tradição, a partir das explicações de guias e moradores. “É impressionante como algo tão simples carrega um significado tão profundo”, disse. Para ela, a fita simboliza fé, cultura e identidade local.
Já a bailarina, coreógrafa e professora de dança Eliana Brêga, de 71 anos, viveu um momento especial ao conseguir, pela primeira vez, entrar na Igreja do Senhor do Bonfim e amarrar sua fitinha. “É a quarta vez que venho à igreja, mas só agora consegui entrar. Eu precisava viver esse momento”, contou, emocionada.
Segundo Eliana, a visita foi motivada pela fé. “Amarrei a fitinha pela saúde, pelo amor, pelo trabalho, pela saúde do meu irmão, por tudo o que você pode imaginar.” Mesmo sem conhecer todos os detalhes históricos, ela sempre acreditou na força do símbolo. “A minha fé me trouxe até aqui. Acredito no Bonfim e acredito nessa fitinha.”
Para quem vive em Salvador, a tradição faz parte do cotidiano e da memória afetiva da cidade. “A fitinha do Bonfim acompanha a gente desde cedo. Não é só um símbolo religioso, é cultura, identidade e história. Cada nó representa um pedido e muita fé”, afirmou o soteropolitano João Santos de Jesus, de 68 anos.
Fonte de fé e sustento
Nos arredores da Basílica do Senhor do Bonfim, a tradição também garante o sustento de muitas famílias. O vendedor Carlos Antônio Pereira da Silva, de 38 anos, trabalha com a venda de fitinhas há cerca de 15 anos. “Para mim, a fitinha representa tudo. É de onde tiro o sustento da minha família. Abaixo de Deus, é o meu trabalho”, afirmou.
Carlos conta que costuma explicar o significado das fitas aos clientes. “Cada cor tem um sentido, representa um orixá, a paz, a saúde, a proteção. Muita gente pensa que é só um pedaço de pano, mas existe muita fé e história ali”, disse.
Também vendedor na Colina Sagrada há mais de 30 anos, Juarez Ferreira de Jesus, de 47, reforça a importância do símbolo. “A fitinha representa paz e tudo o que conquistei. Sou muito grato ao Senhor do Bonfim.” Segundo ele, os clientes demonstram interesse em conhecer a história do acessório. “É importante que as pessoas saibam o que estão levando.”
Para Juarez, a força da tradição está diretamente ligada à fé. “É um símbolo que atravessa gerações, ligado ao Bonfim, à devoção e à cultura da Bahia. Por isso continua vivo até hoje.”
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