Turismo

Carnaval movimenta R$ 14 milhões no setor náutico de Salvador e reforça aposta na economia do mar

Carnaval movimenta R$ 14 milhões no setor náutico de Salvador e reforça aposta na economia do mar
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

04/03/2026 12:15pm

Foto: Jefferson Peixoto

O Carnaval de Salvador não movimentou apenas os circuitos tradicionais da folia. De acordo com a Secretaria do Mar (Semar), o setor náutico injetou cerca de R$ 14 milhões na economia da capital baiana em apenas quatro dias de festa, considerando aluguel de lanchas, charters e passeios marítimos realizados fora dos trajetos oficiais.

Segundo a titular da pasta, Maria Eduarda Lomanto, o resultado reforça o potencial da chamada economia do mar como vetor estratégico de desenvolvimento. Ela projeta que os números podem dobrar nos próximos anos, impulsionados por investimentos estruturantes iniciados desde fevereiro de 2025, quando a secretaria foi criada. “Temos a segunda maior baía navegável do mundo, com águas quentes. Precisamos enxergar a Baía de Todos-os-Santos não apenas pela beleza, mas por sua força econômica e social”, afirmou.

A secretária destacou que o setor náutico envolve uma ampla cadeia produtiva, que vai do aluguel de embarcações à manutenção, logística, marinas, eventos e turismo integrado às ilhas e à orla. Em 2027, Salvador será ponto de chegada da Mini Transat, tradicional regata oceânica que deve trazer cerca de 90 veleiros da França para a capital baiana, ampliando a visibilidade internacional da cidade no segmento.

Atualmente, a economia do mar — incluindo a movimentação portuária — representa cerca de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) de Salvador, configurando-se como o quarto maior setor econômico local. Para sustentar a expansão, a Semar realizou um levantamento junto às marinas e ao trade náutico para mapear demandas por qualificação profissional.

Com base nesse diagnóstico, a Prefeitura lançou a Trilha Náutica, dentro do programa Treinar para Empregar, oferecendo cursos gratuitos como eletricista naval, produção de biojoias e mecânico de manutenção de casco de embarcações. A iniciativa integra a estratégia de fortalecimento da chamada “economia azul”, conceito internacional que articula turismo, pesca, logística portuária e esportes náuticos.

Entre as próximas ações, a gestão municipal prevê a implantação de um novo modal marítimo ligando a Ilha de Maré ao bairro do Comércio, com paradas na Cidade Baixa, ampliando as alternativas de mobilidade urbana. Também está em fase de estruturação o Propesca, projeto voltado ao acompanhamento e fomento das colônias e associações de pesca da capital.

Para a secretária, o desafio é consolidar o mar como nova matriz econômica de Salvador, aliando geração de emprego e renda à responsabilidade ambiental. “Temos mais de 60 quilômetros de orla e uma riqueza natural extraordinária. É um patrimônio que pode impulsionar ainda mais o desenvolvimento da cidade”, concluiu.