Um robô autônomo que joga tênis de mesa, batizado de Ace, alcançou um marco para a inteligência artificial e a robótica ao enfrentar e derrotar atletas de alto nível, incluindo profissionais.
Criado pela divisão de pesquisa de IA da Sony AI, o Ace é o primeiro robô a atingir desempenho de especialista em um esporte físico que exige decisões rápidas e precisão, segundo o responsável pelo projeto, Peter Dürr. A tecnologia, baseada em um braço mecânico, combina sensores de alta velocidade, controle por inteligência artificial e sistemas de última geração.
Embora existam robôs capazes de jogar tênis de mesa desde 1983, nenhum havia conseguido competir com jogadores humanos experientes. O Ace enfrentou atletas profissionais e de elite em partidas realizadas sob as regras da Federação Internacional de Tênis de Mesa e arbitradas por juízes licenciados. O estudo que detalha o desempenho foi publicado na revista Nature.
Segundo Dürr, esportes físicos em tempo real continuam sendo um grande desafio para sistemas de IA por exigirem interações rápidas, precisas e imprevisíveis. O objetivo do projeto vai além da competição: busca entender como robôs podem perceber, planejar e agir com rapidez em ambientes dinâmicos, com possíveis aplicações em fábricas, serviços, esportes, entretenimento e áreas de segurança.
A arquitetura do Ace integra nove câmeras sincronizadas e três sistemas de visão para rastrear a bola com alta precisão. Os pesquisadores desenvolveram uma plataforma com oito articulações, consideradas o mínimo necessário para executar jogadas competitivas.
Em abril de 2025, o robô venceu três de cinco partidas contra jogadores de elite e perdeu duas contra profissionais — o nível mais alto do esporte. Posteriormente, segundo a Sony AI, o Ace voltou a vencer profissionais em dezembro de 2025 e novamente no mês passado.
A atleta profissional Mayuka Taira afirmou que o ponto forte do robô é a imprevisibilidade e a ausência de emoção, o que dificulta antecipar seus golpes. Já o jogador de elite Rui Takenaka relatou que saques simples facilitavam ataques posteriores, enquanto saques com giro complexo eram devolvidos com a mesma intensidade.
Dürr destaca que o Ace possui capacidade “sobre-humana” de leitura do giro da bola e tempo de reação extremamente rápido. Como o robô aprende em simulações e não observando humanos, ele reage de forma diferente dos jogadores, criando situações inesperadas durante as partidas.