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O avanço acelerado da inteligência artificial no Brasil aprofundou um apagão de mão de obra qualificada na base técnica do setor de tecnologia. As empresas enfrentam imensa dificuldade para preencher vagas de engenheiros de dados, cientistas de machine learning e desenvolvedores de software especializados em arquitetura de IA. Como o país forma cerca de 53 mil profissionais de TI por ano para uma demanda que já passa das centenas de milhares, posições estratégicas chegam a ficar abertas por meses, atrasando projetos de transformação digital e a implementação de novos sistemas corporativos.
Paralelamente, a consolidação da IA agêntica sistemas capazes de planejar e executar tarefas de forma autônoma —mmdeslocou o foco do mercado para profissionais de estratégia e governança. Especialistas em segurança da informação (cibersegurança) e analistas de ética em IA estão entre os mais procurados e raros no mercado atual. As organizações buscam talentos que saibam estruturar e proteger grandes volumes de dados, além de garantir que o uso de algoritmos cumpra regulações de privacidade e não replique vieses ou erros operacionais que possam causar prejuízos financeiros e reputacionais.
Por fim, o déficit atinge também a liderança de negócios e o setor comercial focado em tecnologia. Há uma carência acentuada de gerentes de produto (Product Managers) que saibam como aplicar soluções de IA para resolver problemas de mercado, além de executivos de vendas técnicas capazes de negociar essas complexas ferramentas. Como o trabalho de execução puramente repetitiva está sendo absorvido pelos agentes virtuais, o mercado brasileiro passou a supervalorizar o profissional com forte pensamento crítico, inteligência emocional e domínio do inglês, tornando as habilidades comportamentais (soft skills) o principal filtro de contratação.