Romance "O Wikiota" satiriza a cultura dos influenciadores e o poder dos algoritmos
Inspirado na dinâmica das redes sociais, o livro questiona como algoritmos, curtidas e narrativas digitais moldam o sucesso e o fracasso de figuras públicas.
Foto: Divulgação
A influência das redes sociais, a cultura da viralização e os limites entre fama e exposição pública são o ponto de partida de "O Wikiota", novo romance do escritor Ademir Luiz, lançado pela Editora Reformatório durante o VII Encontro Nacional de Escritores, realizado em Goiânia. A obra utiliza humor, ironia e referências ao universo digital para refletir sobre os mecanismos que transformam pessoas comuns em celebridades da internet.
O protagonista, Mike Jardim, vê sua vida mudar após um vídeo de apenas 15 segundos alcançar grande repercussão no YouTube. O episódio marca o início de uma trajetória que o leva da condição de adolescente anônimo a influenciador digital, participante de reality shows e, posteriormente, deputado federal. Ao longo da narrativa, sua imagem pública passa a ser construída e reconstruída por curtidas, compartilhamentos, polêmicas e pela constante exposição nas plataformas digitais.
Ao apresentar Mike como uma releitura contemporânea do "idiota" de Dostoiévski, o romance propõe uma reflexão sobre a forma como informações, reputações e narrativas são produzidas e consumidas na internet. Em um ambiente onde a percepção pública pode mudar rapidamente, a obra discute temas como cancelamento, desinformação, culto à personalidade e a influência dos algoritmos na construção da opinião coletiva.
Com uma narrativa que transita entre o universo impresso e a linguagem das plataformas digitais, "O Wikiota" utiliza a ficção para abordar questões atuais sobre comportamento, comunicação e cultura digital, explorando os efeitos da exposição permanente e da busca por relevância em uma sociedade cada vez mais conectada.