Amigas do Livro chega à 7ª edição e transforma literatura em espaço de encontro entre mulheres em Salvador
Projeto do Amigas do Alpha reúne mulheres em torno da leitura, da troca de experiências e de conversas sobre temas que atravessam o universo feminino; próximo encontro acontece em 31 de agosto, no Coco Bambu do Shopping Paralela
Foto: Divulgação
Em meio a uma rotina cada vez mais marcada pelas telas, grupos de mensagens e relações mediadas pelo ambiente digital, iniciativas que estimulam encontros presenciais e a construção de vínculos entre mulheres vêm ganhando espaço em Salvador. É nesse contexto que o Amigas do Livro, projeto realizado pela comunidade feminina Amigas do Alpha, chega à sua sétima edição, propondo uma experiência que vai além da leitura: reunir mulheres em torno de uma obra literária para conversar, compartilhar vivências e refletir sobre temas presentes em suas próprias histórias.
O próximo encontro será realizado hoje, 31 de agosto, no Coco Bambu do Shopping Paralela, e terá como ponto de partida o livro Se eu soubesse contar infinitos, da escritora Mayra S. Mayor. A obra acompanha três gerações de mulheres e aborda questões como maternidade, relações familiares, abandono, traumas e os vínculos construídos ao longo do tempo — temas que serão levados para a conversa entre as participantes.
A curadoria e a mediação são assinadas por Eliana Oubiña, escritora e fundadora da editora Pé de Pitanga, que acompanha o projeto desde sua criação. A escolha dos títulos considera o perfil do grupo e busca obras capazes de provocar identificação, reflexão e diferentes pontos de vista entre as participantes.
Mais do que discutir uma história, a proposta é transformar a literatura em ponto de partida para conversas sobre a vida. Durante os encontros, as participantes relacionam situações apresentadas nos livros às próprias experiências, criando um ambiente de escuta e troca que combina momentos de reflexão com conversas mais leves, sempre ao redor da mesa.
Para Fernanda Jonas, uma das idealizadoras do Amigas do Alpha, a experiência também representa uma forma de recuperar um hábito que havia ficado em segundo plano diante da rotina. “Gabi e eu sempre gostamos muito de ler, mas estávamos há bastante tempo afastadas dos livros. Amigas do Livro fez a gente recuperar esse hábito. Hoje já terminamos uma leitura esperando a próxima e, muitas vezes, conseguimos ler mais de um livro por mês. As trocas têm sido extremamente ricas, porque cada mulher traz sua história e sua forma de enxergar o que leu. Não é apenas uma conversa sobre o livro. É um encontro de mulheres, experiências e reflexões muito verdadeiras.”
A escolha das obras é um dos elementos centrais do projeto. Segundo as idealizadoras, a curadoria de Eliana Oubiña considera os interesses e características do grupo para selecionar livros que possam gerar conversas significativas sobre família, maternidade, escolhas, afetos e outros assuntos que atravessam a vida das mulheres.
Ao longo das sete edições, o Amigas do Livro passou a ocupar esse espaço de convivência e reflexão. O formato também dialoga com uma característica que está na origem do próprio Amigas do Alpha: a criação de oportunidades para que mulheres possam se conhecer, compartilhar conhecimento e estabelecer relações para além do ambiente virtual.
A experiência se insere em um movimento mais amplo de comunidades femininas que vêm criando redes de convivência e apoio em Salvador, a exemplo de grupos organizados em torno de bairros, territórios e interesses comuns. Nesse cenário, iniciativas como o Amigas do Alpha apostam em encontros presenciais como forma de fortalecer conexões que começaram, muitas vezes, no ambiente digital.
Criado por Fernanda Jonas e Gabi Doval, o Amigas do Alpha nasceu da amizade entre as duas empreendedoras e do desejo de aproximar mulheres que chegavam para morar em Alphaville Salvador. O que começou como encontros entre vizinhas se transformou em uma comunidade com cerca de 7 mil seguidores no Instagram e aproximadamente 2 mil mulheres distribuídas em grupos de WhatsApp, reunindo participantes de Alphaville Salvador 1 e 2, Alphaville Litoral Norte, Le Parc, Greenville, Patamares, Piatã, Pituaçu, Paralela, Orlando Gomes, Stella Maris, Lauro de Freitas e outras localidades.
Ao longo de quatro anos, a comunidade ampliou sua atuação e passou a promover diferentes experiências voltadas à convivência, ao empreendedorismo feminino, à economia criativa e à formação de redes de apoio. O Amigas do Livro é uma dessas iniciativas e mantém a essência do grupo: criar espaços em que mulheres possam estabelecer conexões reais, trocar experiências e construir relações de confiança.
No encontro de agosto, essa proposta encontra na literatura um novo ponto de conexão. Ao redor da mesa, entre uma conversa e outra, o livro deixa de ser apenas uma obra a ser lida e passa a funcionar como uma espécie de espelho: cada participante pode reconhecer nas personagens, nos conflitos e nas relações familiares questões que também fazem parte da vida.