Saúde

Ministério da Saúde inicia processo para incluir injeção de prevenção ao HIV no SUS

Medicamento injetável, aprovado pela Anvisa em 2023, é uma alternativa de longa duração à PrEP oral atualmente oferecida pela rede pública.

Ministério da Saúde inicia processo para incluir injeção de prevenção ao HIV no SUS
Da Redação

Da Redação

29/07/2026 10:50am

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

O Ministério da Saúde dará início ao processo para incorporar o cabotegravir ao Sistema Único de Saúde (SUS) como alternativa para a prevenção da infecção pelo HIV. O pedido será encaminhado na próxima semana à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), responsável por avaliar a inclusão de novos medicamentos e tratamentos na rede pública.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. Segundo ele, a proposta avançou após o laboratório fabricante apresentar uma oferta de preço considerada compatível com a capacidade de compra do governo. O valor negociado, no entanto, não foi divulgado. Antes de qualquer incorporação, a Conitec ainda analisará evidências científicas, custos e o impacto orçamentário da medida para emitir uma recomendação ao ministério.

Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, o cabotegravir é uma forma de profilaxia pré-exposição (PrEP) de longa duração. Diferentemente do esquema atualmente disponível no SUS, baseado em comprimidos de uso diário, o medicamento é administrado por injeção intramuscular. O tratamento começa com duas aplicações, em intervalo de quatro semanas, e depois passa a ser realizado a cada oito semanas. Estudos clínicos conduzidos com diferentes públicos, incluindo pesquisas realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, apontaram eficácia 69% superior à da PrEP oral diária.

Durante o evento, Padilha também comentou as negociações envolvendo o lenacapavir, outro medicamento injetável voltado à prevenção do HIV, cuja aplicação ocorre apenas duas vezes por ano. Embora o produto já tenha sido aprovado pela Anvisa, ainda não possui preço definido no Brasil. Segundo o ministro, o governo não pretende avançar com sua incorporação enquanto os valores apresentados pela fabricante permanecerem incompatíveis com a capacidade financeira do SUS, defendendo que novas tecnologias cheguem aos sistemas públicos de saúde com preços acessíveis.