Saúde

Infertilidade masculina: fatores ligados aos homens estão presentes em até 50% dos casos; entenda as causas

Tabagismo, obesidade, alterações hormonais e exposição a substâncias químicas estão entre os fatores de risco. Médico do IVI Salvador explica quando procurar avaliação especializada.

Infertilidade masculina: fatores ligados aos homens estão presentes em até 50% dos casos; entenda as causas
Da Redação

Da Redação

04/11/2026 1:18pm

Foto: Magnific

A dificuldade para ter filhos não está relacionada apenas à saúde reprodutiva feminina. Estimativas indicam que fatores masculinos respondem isoladamente por aproximadamente 30% dos casos de infertilidade e participam de outros 20% em associação com fatores femininos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de uma em cada seis pessoas enfrenta problemas de infertilidade. Entre os homens, condições clínicas, hábitos cotidianos e exposição a determinadas substâncias podem interferir na produção e na qualidade dos espermatozoides.

O tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a obesidade e o uso de drogas estão entre os fatores associados a alterações na fertilidade. Outro ponto de atenção é a utilização de testosterona e anabolizantes sem acompanhamento médico, que pode reduzir significativamente a produção de espermatozoides e, em alguns casos, provocar sua ausência no sêmen. A exposição frequente a pesticidas, metais pesados e solventes também é investigada por possíveis efeitos sobre a função reprodutiva. “O impacto varia conforme o organismo, a intensidade e o tempo de exposição. Por isso, é importante avaliar o histórico de cada paciente e investigar possíveis alterações, sem atribuir a dificuldade para ter filhos a um único fator. Essa análise ajuda a orientar os cuidados necessários para preservar a saúde reprodutiva”, explica Agnaldo Viana, especialista em Reprodução Humana e médico do IVI Salvador.

Entre as condições que podem prejudicar a fertilidade está a varicocele, caracterizada pela dilatação das veias responsáveis pela drenagem sanguínea dos testículos. A alteração nem sempre apresenta sintomas, mas pode afetar a qualidade do sêmen. O diagnóstico também enfrenta obstáculos culturais, especialmente pela associação equivocada entre fertilidade, masculinidade e desempenho sexual. Ter ereção, ejaculação e desejo sexual preservados não significa, necessariamente, que a produção de espermatozoides esteja adequada. Em geral, a investigação é recomendada quando a gravidez não ocorre após 12 meses de relações sexuais regulares sem contracepção, embora a avaliação possa começar antes diante de fatores de risco.

A investigação pode envolver espermograma, exames hormonais, avaliações genéticas e procedimentos de imagem, conforme a necessidade de cada paciente. As alternativas de tratamento incluem mudanças de hábitos, controle de doenças, cirurgias e técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV). Em situações específicas, também pode ser utilizada a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI). “Como as causas da infertilidade masculina são diversas, o tratamento deve ser definido a partir de uma avaliação individualizada. Identificar a origem da alteração permite escolher a abordagem mais adequada e orientar o casal sobre as possibilidades disponíveis”, conclui Agnaldo Viana.