Fibromialgia: diagnóstico tardio compromete qualidade de vida e reforça importância da avaliação especializada
Condição atinge principalmente mulheres e reúne sintomas que costumam ser investigados de forma isolada, dificultando o diagnóstico
Foto: Magnific
Mesmo afetando entre 2% e 3% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a fibromialgia continua sendo uma condição de difícil identificação e que, frequentemente, leva anos até receber um diagnóstico. O tema voltou ao debate após ganhar espaço em uma novela exibida em horário nobre, contribuindo para ampliar a discussão sobre uma doença que provoca dores crônicas, fadiga intensa, alterações do sono e dificuldades cognitivas, apesar de, na maioria dos casos, não apresentar alterações em exames laboratoriais ou de imagem.
Para a reumatologista Dra. Viviane Machicado, da Clínica IBIS, a ausência de evidências objetivas nos exames é um dos principais fatores que retardam o reconhecimento da doença. Segundo a especialista, a fibromialgia está relacionada a uma alteração na forma como o sistema nervoso processa os estímulos dolorosos, fenômeno conhecido como sensibilização central. "Sabemos que existe uma alteração na forma como o sistema nervoso processa os estímulos dolorosos, fenômeno conhecido como sensibilização central. É como se o 'volume' da dor estivesse aumentado. Estímulos que normalmente seriam pouco dolorosos passam a ser percebidos com intensidade muito maior. Isso explica por que exames costumam estar normais, sem que isso diminua a legitimidade do sofrimento do paciente", explica.
Como não existe um exame específico para confirmar a doença, o diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica, considerando o histórico do paciente, o conjunto de sintomas e a exclusão de outras enfermidades. Essa característica faz com que muitas pessoas passem por diferentes especialidades médicas antes de chegar ao reumatologista. Entre os sinais mais frequentes estão dor persistente, fadiga, sono não reparador, hipersensibilidade ao toque e dificuldades de memória e concentração, quadro conhecido como fibrofog.
Embora ainda não tenha cura, a fibromialgia pode ser controlada com tratamento iniciado precocemente e conduzido de forma multidisciplinar. A abordagem reúne medicamentos, prática regular de atividade física adaptada, cuidados com o sono, alimentação equilibrada, acompanhamento psicológico e educação sobre a doença. Para a Dra. Viviane, ampliar o conhecimento da população sobre a condição é fundamental para reduzir o preconceito e estimular a busca por atendimento especializado diante de dores persistentes. "O fato de a dor não aparecer em exames não significa que ela não exista. Embora ainda não exista cura, existem tratamentos eficazes que permitem controlar os sintomas e recuperar qualidade de vida. O diagnóstico correto, aliado a uma abordagem individualizada e multidisciplinar, pode transformar a vida desses pacientes", afirma.