Saúde

Dra. Ariane Bonucci chama atenção para a prevenção da saúde auditiva desde os primeiros anos de vida

Fonoaudióloga afirma que perda auditiva e zumbido têm se tornado cada vez mais frequentes e reforça que o diagnóstico precoce é fundamental para preservar a qualidade de vida

Dra. Ariane Bonucci chama atenção para a prevenção da saúde auditiva desde os primeiros anos de vida
João Costa

João Costa

04/08/2026 6:03pm

Foto: Divulgação 


A saúde auditiva vem despertando preocupação entre especialistas diante do aumento dos casos de perda auditiva e zumbido registrados nos últimos anos. A exposição constante ao excesso de ruído, o uso inadequado de fones de ouvido e o envelhecimento da população estão entre os principais fatores que contribuem para esse cenário, que já afeta pessoas de todas as idades.

De acordo com a fonoaudióloga Ariane Bonucci, especialista em Audiologia Clínica e sócia-fundadora do Espaço da Audição, a perda auditiva e o zumbido figuram entre as alterações auditivas que mais comprometem o bem-estar, a comunicação e a interação social. "Vivemos em uma sociedade cada vez mais exposta ao ruído, seja pelo uso frequente de fones de ouvido em volume elevado, pelo trânsito intenso, pelos ambientes de trabalho ou por eventos com música alta. Além disso, o aumento da expectativa de vida faz com que mais pessoas desenvolvam alterações naturais da audição", explica.

Segundo a especialista, aproximadamente 70% das pessoas apresentam algum grau de perda auditiva após os 60 anos. No entanto, ela ressalta que limitar esse problema ao envelhecimento é um equívoco. Crianças, adolescentes e adultos também podem desenvolver alterações auditivas em decorrência de fatores genéticos, infecções, doenças, uso de medicamentos ototóxicos e, principalmente, pela exposição frequente a níveis elevados de ruído.

Outro desafio apontado por Ariane Bonucci é a falta de conscientização sobre a importância dos cuidados preventivos. Para ela, a avaliação auditiva deveria fazer parte da rotina de saúde da população, assim como ocorre com os exames oftalmológicos e cardiológicos.

"Precisamos criar a cultura do check-up auditivo. Muitas pessoas só procuram ajuda quando a dificuldade para ouvir já compromete a comunicação e a qualidade de vida. Quanto mais cedo identificamos qualquer alteração, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores os resultados", afirma.

Há 13 anos, o Espaço da Audição atua com a missão de promover saúde auditiva e devolver qualidade de vida aos pacientes. A instituição conta com uma rede de atendimento em todo o Brasil, oferecendo avaliações auditivas completas, adaptação de aparelhos auditivos, acompanhamento contínuo e orientação especializada para pacientes e familiares.

O trabalho vai além dos consultórios. A empresa também investe em ações educativas por meio de palestras, entrevistas, campanhas de conscientização e produção de conteúdos informativos, buscando ampliar o conhecimento da população sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da perda auditiva.

Para Ariane Bonucci, ouvir bem significa muito mais do que perceber sons. "A audição nos conecta às pessoas, às emoções e aos momentos mais importantes da vida. Quando ela começa a falhar, muitas pessoas deixam de participar das conversas, evitam encontros familiares, enfrentam dificuldades no trabalho e acabam perdendo sua autonomia e confiança."

Entre os principais sinais de alerta estão a necessidade constante de pedir para que as pessoas repitam o que disseram, aumentar frequentemente o volume da televisão, dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos, problemas para falar ao telefone, presença de zumbido e comentários de familiares indicando que a pessoa não está ouvindo bem.

Um dos sintomas que mais têm levado pacientes aos consultórios é justamente o zumbido. Segundo Ariane Bonucci, o zumbido é um sintoma e não uma doença e indica um sinal de que algo no corpo precisa ser investigado.

"O zumbido é a percepção de sons como chiados, apitos ou assobios sem que exista uma fonte sonora externa. Em cerca de 90% dos casos, ele está associado à perda auditiva, mas também pode estar relacionado ao estresse, à ansiedade, a alterações circulatórias, problemas na articulação da mandíbula, alimentação ou ao uso de determinados medicamentos", explica.

A especialista destaca que existem tratamentos eficazes, principalmente quando a causa é identificada precocemente. Entre as alternativas estão a adaptação de aparelhos auditivos, terapias sonoras, acompanhamento multiprofissional e o tratamento das condições associadas.

Ela também chama a atenção para hábitos simples que ajudam a preservar a audição ao longo da vida. Utilizar fones de ouvido em volume moderado e por tempo limitado, fazer pausas durante a exposição a sons intensos, utilizar protetores auriculares em ambientes muito ruidosos, evitar introduzir objetos no ouvido e controlar doenças como diabetes e hipertensão são algumas das recomendações.

"A audição merece os mesmos cuidados dedicados à visão, ao coração e à saúde como um todo. Cuidar da audição é preservar a comunicação, a autonomia, o funcionamento saudável do cérebro e a qualidade de vida. "Com opções cada vez mais acessíveis, cuidar da audição deixou de ser um privilégio. O que realmente pesa é perder conversas, oportunidades e momentos especiais por não buscar ajuda", conclui Ariane Bonucci.