Saúde

Cardio Pulmonar realiza cirurgia de implante cerebral que melhora sintomas em paciente de Parkinson

Cardio Pulmonar realiza cirurgia de implante cerebral que melhora sintomas em paciente de Parkinson
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

25/01/2024 1:14pm

O HCP (Hospital Cárdio Pulmonar), da Rede D’Or, acaba de realizar um procedimento complexo, de estimulação cerebral profunda, DBS (do inglês Deep Brain Stimulation), para tratamento de Parkinson e outros transtornos que afetam o movimento. A cirurgia foi feita em paciente do sexo masculino, de 80 anos, e durou aproximadamente seis horas. O diagnóstico foi de doença de Parkinson refratária, apresentando tremor, entre os sintomas importantes.

O tratamento via DBS, que passa a integrar o rol de serviços disponibilizados pelo HCP, é bastante avançado, feito por meio da implantação de dois chips cerebrais ligados a um marcapasso, que permite controlar os sintomas do paciente. O método também pode ser usado para outras doenças como distonia, tremor essencial, transtorno obsessivo compulsivo, dor crônica, depressão e Síndrome de Tourrete. 

“A estimulação cerebral profunda é uma importante modalidade terapêutica para pacientes, especialmente aqueles que não respondem adequadamente ao tratamento farmacológico, ou que apresentam efeitos colaterais significativos desses medicamentos”, informa o neurocirurgião responsável pelo procedimento, Anselmo Boa Sorte, especialista em neuromodulação e transtornos neurológicos do movimento.

Evolução -Ele explica que o DBS é uma evolução importante e uma alternativa aos métodos feitos anteriormente, com base em medicamentos ou com cirurgia, chamada ablativa, em que se queimava a região relacionada à doença. “A neuromodulação é uma das maiores promessas no tratamento de doenças de difícil controle que interferem na qualidade de vida do paciente. Dentre as técnicas de neuromodulação, o DBS é uma das mais expoentes, especialmente nos casos de Parkinson”, afirma o médico.

Entre as vantagens do tratamento com DBS estão a melhora dos sintomas motores, redução de medicamentos, alternativa para aqueles que não podem usar certos remédios, tratamento personalizado, e eficácia a longo prazo.

No caso do paciente do Cárdio Pulmonar, a alta médica foi 72 horas após o procedimento. Os cuidados do pós-operatório são a observação nas primeiras 24 horas, em unidade de terapia intensiva, cuidados com a cicatriz, reabilitação, e atividades leves por pelo menos 15 dias. A expectativa é de melhora dos sintomas, especialmente do tremor, e da qualidade de vida.

No total, estiveram envolvidos diretamente na cirurgia, sete profissionais: dois neurocirurgiões, um técnico de estimulação, dois instrumentadores e dois anestesistas, além de toda a equipe de enfermagem do centro cirúrgico do hospital. A equipe de neurocirurgia que realizou o procedimento conta com os médicos Anselmo Boa Sorte, Leonardo Conrado, Raimundo Nonato, Marcelo Pereira e Yuri Andrade.

Sobre a importância de o HCP passar a disponibilizar o procedimento de DBS, o neurocirurgião Anselmo Boa Sorte destaca que só é possível devido à unidade hospitalar ter uma equipe multidisciplinar afinada, com experiência em transtornos de movimento e dispor de toda a infraestrutura necessária para a sua realização. Ele observa que no mundo já existem mais de 200 mil pacientes implantados para doença de Parkinson, com ótimos resultados.