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Cineasta foi nomeado diretor-presidente da primeira empresa cinematográfica estadual
Foto: Divulgação
Dizem que a Bahia é coisa de cinema. Pois bem. A Pola Ribeiro – um dos nomes mais conhecidos e respeitados do mercado audiovisual brasileiro – foi dada a missão de provar de que esta não é apenas uma força de expressão.
O cineasta foi recentemente nomeado como diretor-presidente da recém-criada Bahia Filmes, empresa de economia mista vinculada ao governo do estado que tem referências conhecidas: a paulista SPCine e a carioca RioFilme.
Animado, Pola conversou com exclusividade com esta coluna em um ambiente propício nesta sexta-feira (27). Este texto é redigido direto do Cine Glauber Rocha, que abriga a 21ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema, um dos mais importantes do país. Foi aqui, à beira da Baía de Todos-Os-Santos, que o cineasta antecipou um pouco deste pioneiro projeto de fomento à sétima arte.
“É o desenvolvimento econômico da Bahia a partir do audiovisual. Queremos ser uma ponte para oportunidades de captação de recursos que existem e que a gente não estava acessando por falta de musculatura das empresas. Embora as empresas da Bahia, durante oito anos, tenham trazido R$180 milhões de fora do estado. A Bahia Filmes é uma ferramenta mais ágil de poder captar, de poder usar, de gastar, de entender o mercado, de ter um diagnóstico mais claro e não perder as oportunidades de captação de recursos em várias linhas”, explica Pola.
“A gente está buscando uma forma de criar previsibilidade, para que o setor possa ter o desejo e o horizonte de investir, de criar infraestrutura, de ampliar seu escopo. Não ser só uma equipe que filma, mas uma equipe jurídica, uma equipe de contabilidade, uma equipe de administração, uma equipe de relações institucionais, de marketing. Enfim, para que a gente possa ter uma musculatura mais forte e competir no mercado, que é internacional”, completa.
Com cerca de R$22 milhões anunciados como orçamento inicial – R$15 milhões destinados a editais e R$ 7 milhões para a estruturação da empresa –, a Bahia Filmes já nasce com ambições que vão além dos limites estaduais.
“Empresas como Amazon e Netflix querem o cinema porque a estrutura do cinema, do tapete vermelho, do glamour, passa pela exibição na sala. Então, eles vêm dialogar. A Globo, o Globoplay, Globo Filmes vêm dialogar com os produtores. As grandes produtoras nacionais e distribuidoras vêm discutir com o roteirista. É o networking, é o pitching, é o meeting, é um com o outro ali, discutindo, dizendo qual é o seu filme. Cada vez mais, hoje, os distribuidores e os grandes produtores querem entrar na produção no iniciozinho. Eles querem conversar desde a ideia, ajudar a produzir e também dar seus pitacos”, analisa o diretor-presidente.
Trata-se, certamente, de um grande avanço no acesso à verba pública, principalmente para a inserção de pequenas empresas e aspirantes do mercado cinematográfico baiano, além dos tradicionais artistas independentes. Não esqueçamos, no entanto, do fator político.
“A gente está entrando no ano eleitoral, no último ano de um governo, torcendo para que a gente possa ter mais um fôlego de deixar o projeto mais estruturado. É a primeira empresa pública de audiovisual de um estado. A SPCine e RioFilmes são municipais. Então, o desafio Bahia, num estado desse tamanho, é muito grande”, pontua Pola Ribeiro.
De forma prática, para que esta coluna seja franca, é nesta fala que trata dos bastidores do poder em que se vê o verdadeiro tom do que a Bahia Filmes pode se tornar – ou não. Já que, para isto, como para quase tudo, é necessário algo tão abstrato quanto poderoso. Chama-se vontade política.
Muito se depende, então, da lente de quem tem ou terá a famosa caneta na mão.
Este é o grande teste.
Mas são cenas dos próximos capítulos.