Eleições 2026: saiba como consultar título e local de votação
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Chatbots podem auxiliar na leitura de propostas e na identificação de informações que ainda precisam ser verificadas, sem indicar em quem votar
Foto: Divulgação
Com o primeiro turno das Eleições 2026 marcado para 4 de outubro, ferramentas de inteligência artificial podem entrar na rotina de eleitores que buscam compreender propostas, notícias e dados antes de definir o voto. O movimento acompanha um uso crescente dos chatbots como fonte complementar de informação. Segundo o Digital News Report 2026, 10% dos entrevistados nos mercados pesquisados disseram ter utilizado chatbots de IA para acessar notícias na semana anterior. Entre esses usuários, 42% recorrem às ferramentas para fazer perguntas adicionais sobre conteúdos jornalísticos.
Para João Paulo Batistella, executivo de inovação e especialista em transformação organizacional, a tecnologia pode ser usada para identificar lacunas de informação, examinar documentos e formular questões que ajudem na pesquisa, sem assumir a escolha eleitoral. “A pergunta mais útil talvez não seja ‘em quem devo votar?’, mas ‘o que eu ainda preciso entender antes de decidir?’. A IA pode ajudar a organizar informação, mostrar lacunas e levantar novas perguntas. A escolha continua sendo de quem está votando”, afirma. Na prática, um eleitor pode fornecer uma proposta ou documento original ao chatbot e solicitar a localização de metas, prazos e referências a determinados temas, além de pedir explicações em linguagem mais simples.
A maneira de formular a pergunta também merece atenção. Estudos sobre o comportamento de modelos de linguagem já identificaram a chamada “sycophancy”, tendência de sistemas de IA a acompanhar posições apresentadas pelo usuário em determinadas circunstâncias, inclusive em detrimento da precisão. Pesquisas da Anthropic apontaram esse comportamento em modelos treinados com feedback humano, enquanto estudos posteriores continuam investigando como o enquadramento dado pelo usuário pode afetar as respostas. Por isso, perguntas abertas, voltadas à verificação de informações, permitem uma investigação diferente de comandos que já partem de uma conclusão.
No Brasil, há também limites específicos para o uso eleitoral dessas tecnologias. As normas aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral para 2026 proíbem provedores de sistemas de IA de ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidaturas, campanhas, partidos, federações ou coligações, além de recomendar voto. Batistella resume o papel que atribui à tecnologia nesse processo: “A IA é mais útil quando ajuda a pessoa a identificar o que precisa verificar, não quando entrega uma conclusão pronta”. A proposta, portanto, é usar o chatbot como apoio à pesquisa, mantendo a avaliação das informações e a decisão eleitoral sob responsabilidade do próprio eleitor.
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