Foto: @pedrosoaresfs / @maquinadelouco
O BaianaSystem lança “Fanfarra Pirata”, single que já está disponível em todas as plataformas digitais e marca o início de uma nova etapa criativa da banda. A faixa abre caminho para uma mixtape que será lançada no próximo mês e embala o verão, atravessando o Carnaval com novas sonoridades e perspectivas.
Após circular pelo mundo em 2025, o grupo finca os pés, em 2026, na América Latina e no Caribe, territórios que dialogam diretamente com sua identidade musical e política. A ideia da mixtape remete ao universo do soundsystem, enquanto as fanfarras se conectam à música coletiva das ruas, às manifestações populares e ao fazer musical do Carnaval.
Mais do que uma escolha estética, a fanfarra surge como símbolo histórico. Sua presença no Brasil e na América Latina está ligada aos processos de colonização, quando marchas e músicas de campo harmônico limitado eram usadas como instrumentos de poder e disciplina. Com o passar do tempo, esses sons foram ressignificados por meio de uma verdadeira antropofagia musical, fundindo-se aos ritmos dos povos originários do Caribe, dos Andes, das florestas e dos pampas, além das matrizes africanas que formam a base da música brasileira.
Esse movimento, impulsionado pelas manifestações populares — muitas vezes apesar da repressão das elites —, ajudou a criar uma nova “praia harmônica” que influenciou o surgimento de gêneros musicais no Brasil e na América do Sul. As fanfarras também dialogam com os processos de independência latino-americanos e com símbolos nacionais, como o Sol de Maio, referência ao deus inca Apu Inti, presente nas bandeiras da Argentina e do Uruguai e já explorado pelo BaianaSystem em “América do Sol”, faixa do álbum OXEAXEEXU (2021).
Essa conexão aparece ainda nas bandas municipais de Cuba, nas festas de independência da Bahia e nos cortejos do Caboclo, figura que simboliza povos originários, mestiços e negros, tratado como emblema nacional e entidade espiritual.
Em “Fanfarra Pirata”, a fanfarra assume um novo protagonismo dentro do universo do BaianaSystem. Com DNA das bandas marciais e das orquestras do interior, ela aponta o caminho para uma presença mais intensa de sopros e metais, em diálogo com a guitarra baiana e a percussão afro-baiana.
“Fanfarra é inspirada em musicistas com quem tivemos a honra de tocar e também uma homenagem às instituições e grupos espalhados pelo país, que são escola e memória coletiva da música brasileira”, afirma Roberto Barreto, guitarrista do grupo. “Nas fanfarras brasileiras, o floreio melódico é marcado pela percussão. Aqui na Bahia, essa batida é afropercussiva, criando uma polivalência musical que nos interessa profundamente”, completa.