Foto: NoirLAB
Uma das estruturas mais icônicas do céu profundo ganhou um retrato mais detalhado. Novas imagens de Messier 104, a famosa Galáxia do Sombreiro, mostram com precisão inédita seu halo difuso, correntes estelares e a complexa organização do disco. Os dados foram obtidos pela Dark Energy Camera, acoplada ao Telescópio Víctor M. Blanco, no Chile.
Localizada a cerca de 30 milhões de anos-luz da Terra, a galáxia é conhecida pelo disco fino atravessado por uma faixa escura de poeira e por um bojo central extremamente brilhante — características que a tornaram um alvo clássico para cientistas e astrônomos amadores.
As novas observações destacam sinais de um passado turbulento. No centro, um núcleo luminoso é cercado por cerca de 2 mil aglomerados globulares, enquanto um halo estelar se estende por mais de três vezes o diâmetro da galáxia. Segundo pesquisadores do NOIRLab, esta pode ser a primeira vez que essa região foi registrada com tal nível de detalhe.
Outro destaque é a detecção de uma corrente estelar formada por estrelas arrancadas de sistemas menores — evidência de antigas fusões galácticas, processos essenciais para compreender a evolução das grandes galáxias.
A faixa escura que dá nome ao objeto também aparece com nitidez ampliada. Rica em poeira fria e hidrogênio, ela marca áreas ativas de formação estelar. No coração do sistema, reside um buraco negro supermassivo com massa estimada em cerca de um bilhão de sóis.
Descoberta em 1781 por Pierre Méchain, colaborador de Charles Messier, e posteriormente observada por William Herschel, a galáxia teve sua identificação consolidada décadas depois por Camille Flammarion. Mais de dois séculos após sua descoberta, ela segue como um laboratório natural para novas investigações astronômicas.