Moda

Ricardo Almeida veste a Seleção e acerta ao traduzir o Brasil além das quatro linhas

Ricardo Almeida veste a Seleção e acerta ao traduzir o Brasil além das quatro linhas
Camilly Oliveira

Camilly Oliveira

02/06/2026 4:00pm

Foto: Instagram @Brasil


Quando a Seleção Brasileira embarca para uma Copa do Mundo, ela leva muito mais do que um elenco. Leva símbolos, imagem e uma forma de representar o país diante do mundo. Por isto, a escolha de Ricardo Almeida para assinar os uniformes de viagem da equipe pela terceira edição consecutiva do Mundial parece menos uma coincidência e mais uma afirmação de identidade.


O futebol mudou e com isto os jogadores deixaram de ocupar apenas o papel de atletas e passaram a influenciar comportamento, consumo e tendências. Hoje, a chegada de uma delegação ao aeroporto pode gerar quase tanta repercussão quanto uma coletiva de imprensa. A imagem ganhou protagonismo e o vestir passou a comunicar tanto quanto o discurso.


Neste cenário, poucos nomes dialogam tão bem com a ideia de sofisticação brasileira quanto Ricardo Almeida. Ao longo de décadas, o estilista construiu uma assinatura própria dentro da moda masculina, desenvolvendo uma alfaiataria que não tenta reproduzir modelos estrangeiros, mas traduz características muito particulares do Brasil: leveza, contemporaneidade e naturalidade.


A coleção criada para a Copa de 2026 segue exatamente esse caminho. Em vez dos códigos tradicionais de uma alfaiataria excessivamente formal, surgem peças mais fluidas, estruturas menos rígidas e uma proposta alinhada ao perfil de uma geração que enxerga a moda como extensão da própria personalidade.


Para além da estética, o país está em um momento em que busca valorizar talentos criativos nativos e fortalecer marcas nacionais em mercados cada vez mais competitivos, ver a Seleção vestindo uma grife brasileira de prestígio reforça uma narrativa de autenticidade. O Brasil entra em campo com sua cultura, música, futebol e também com sua moda.


Existe ainda um acerto importante na leitura do momento, o uniforme não tenta transformar os jogadores em executivos nem em modelos de passarela. O resultado é equilibrado.


Talvez seja justamente esta a maior qualidade do projeto. Enquanto muitas marcas buscam chamar atenção pelo impacto visual, Ricardo Almeida escolheu um caminho mais difícil: construir uma imagem que pareça natural.


No fim, a Seleção embarca para os Estados Unidos vestindo algo que combina perfeitamente com a sua essência brasileira. Uma alfaiataria contemporânea, produzida no Brasil e capaz de traduzir, com discrição e personalidade, a imagem de um país que continua sendo uma referência global quando o assunto é talento, criatividade e estilo.