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Uso precoce de telas pode comprometer etapas essenciais do desenvolvimento infantil

Uso precoce de telas pode comprometer etapas essenciais do desenvolvimento infantil
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

02/03/2026 2:43pm

Fotos: Freepik e Divulgação / Colégio São Paulo

O avanço tecnológico e a presença cada vez mais constante de dispositivos digitais no cotidiano das famílias têm transformado profundamente a experiência da infância. De acordo com recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças menores de dois anos não devem ser expostas a telas e, na primeira infância, o tempo de uso deve ser limitado e sempre supervisionado.

Segundo a psicanalista Larissa Machado, diretora do Colégio São Paulo – unidade Tempo de Criança, o excesso de estímulos digitais pode interferir em etapas importantes do desenvolvimento infantil. “Esse fenômeno está associado a atrasos na linguagem, alterações no sono, dificuldades de atenção e ao empobrecimento das interações sociais, uma vez que reduz o tempo dedicado a experiências essenciais para a criança, como o brincar, a convivência e o movimento corporal”, explica.

De acordo com a especialista, a infância contemporânea tem migrado de uma cultura baseada no brincar para uma rotina cada vez mais mediada por telas, fenômeno associado ao aumento de quadros de ansiedade e fragilidade emocional entre crianças e adolescentes. “Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de reconhecer que o uso desregulado e excessivo pode comprometer o desenvolvimento emocional, cognitivo, social e físico. A tela ativa, mas não vincula. Prende a atenção, mas não sustenta”, destaca.

No ambiente escolar, os reflexos também são percebidos no comportamento das crianças, com maior dificuldade de concentração em atividades que não envolvem recursos digitais, menor tolerância à frustração e maior dependência de estímulos externos. Diante desse cenário, família e escola assumem papel complementar na mediação do uso da tecnologia e na construção de rotinas mais equilibradas.

Ambientes educativos que incentivam práticas como esporte, arte, leitura e projetos coletivos contribuem para ampliar repertórios e fortalecer vínculos sociais. “Uma escola viva conquista, de forma saudável, a atenção da criança sem competir com a tela, oferecendo aquilo que a tecnologia não pode proporcionar: pertencimento, desafio mediado e construção coletiva de sentido”, afirma Larissa Machado.

Para a especialista, regular o uso de telas é uma medida essencial para o desenvolvimento saudável das novas gerações. “Precisamos devolver às crianças aquilo que lhes é fundamental: tempo para brincar, para conviver e para experimentar o mundo com o corpo inteiro. A tela oferece estímulo intenso e rápido, mas pobre em reciprocidade. A infância não pode ser terceirizada para algoritmos”, conclui.