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Excesso de telas prejudica concentração e rendimento escolar de crianças e adolescentes

Especialista alerta que o consumo contínuo de estímulos rápidos dificulta a realização de tarefas que exigem leitura, raciocínio e foco prolongado.

Excesso de telas prejudica concentração e rendimento escolar de crianças e adolescentes
Da Redação

Da Redação

03/08/2026 1:20pm

Foto: Divulgação

O uso excessivo de telas e redes sociais tem afetado a capacidade de concentração e o desempenho escolar de crianças e adolescentes. Relatórios da Unesco e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) relacionam a distração provocada pelos dispositivos digitais e a substituição de atividades cognitivas por conteúdos rápidos a resultados mais baixos em disciplinas como matemática, leitura e ciências.

Para Ana Paula Previate, diretora do Colégio Integrado de Campo Mourão, no Paraná, e mestre em Linguística, os efeitos já são percebidos na rotina das salas de aula. Entre os sinais mais frequentes estão dificuldade de atenção, privação do sono, ansiedade e menor disposição para tarefas que exigem esforço prolongado. “O excesso de tempo nos dispositivos digitais tem provocado reflexos diretos na rotina da sala de aula”, afirma Previate.

A especialista compara a sucessão de vídeos curtos, notificações e conteúdos em rolagem infinita a uma “metralhadora de estímulos”. Como o cérebro dos adolescentes ainda está em desenvolvimento, especialmente na área ligada ao controle dos impulsos, a exposição constante a recompensas imediatas pode tornar atividades mais longas menos atraentes. Ler um livro, interpretar um texto ou resolver um problema matemático passa a exigir um esforço que contrasta com a velocidade das redes sociais.

O enfrentamento do problema, segundo Ana Paula, não depende apenas da proibição dos aparelhos. A proposta deve combinar regras para os momentos não pedagógicos com educação digital e uso orientado da tecnologia em sala. Também é necessário ampliar o espaço dedicado ao esporte, à leitura em livros físicos, à arte e à convivência presencial, ajudando os estudantes a compreender como os algoritmos disputam sua atenção e a desenvolver uma relação mais equilibrada com o ambiente virtual.