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ENAMED 2025: Bahia consolida posição de destaque na formação médica no Brasil

ENAMED 2025: Bahia consolida posição de destaque na formação médica no Brasil
Verônica Villas Bôas

Verônica Villas Bôas

20/01/2026 12:00pm

Imagens geradas por IA

A mais recente edição do ENAMED, avaliação nacional da formação médica conduzida pelo Inep e pelo MEC, oferece um retrato amplo e detalhado do ensino de Medicina no Brasil. Em um cenário marcado por forte expansão da oferta de cursos e por disparidades regionais, apenas uma parcela restrita das instituições conseguiu alcançar os patamares mais elevados de desempenho.

Nesse contexto, a Bahia figura entre os estados com presença relevante na faixa superior da avaliação, ao lado de unidades da federação tradicionalmente consolidadas no ensino superior. O resultado reforça o papel do estado como um dos polos estratégicos da formação médica no país, especialmente a partir da força do ensino público e da atuação consistente de instituições privadas consolidadas.

Panorama nacional

No recorte nacional, 351 cursos de Medicina foram avaliados. Apenas 49 alcançaram o conceito máximo (5), representando 14% do total. Quando considerados todos os cursos com conceitos satisfatórios ou superiores (3, 4 e 5), o índice nacional chega a cerca de 70%, enquanto aproximadamente 30% ficaram nas faixas insatisfatórias (conceitos 1 e 2). Em termos práticos, apenas uma em cada sete escolas médicas brasileiras atingiu a nota máxima.

Excelência concentrada no ensino público

Na Bahia, os três cursos que alcançaram o conceito máximo (5) pertencem à rede pública e estão localizados fora da capital, evidenciando a força da interiorização qualificada do ensino superior:

    •    Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Medicina, campus Vitória da Conquista

    •    Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) – Medicina, Vitória da Conquista

    •    Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) – Medicina, campus Paulo Afonso

O desempenho confirma uma tendência observada em ciclos anteriores de avaliação: universidades públicas consolidadas, com corpo docente estruturado e forte integração com a rede pública de saúde, lideram os indicadores de excelência, sobretudo na formação médica.

Alta performance acadêmica: públicas consolidadas e privadas de referência

Além da faixa de excelência máxima, a Bahia apresentou um conjunto expressivo de cursos com conceito 4, classificação considerada muito boa pelo MEC. Esse grupo reúne universidades públicas consolidadas e instituições privadas de referência, ampliando a densidade qualitativa do ensino médico no estado.

Integram essa faixa instituições como:

    •    UFBA (campus Salvador)

    •    Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)

    •    Universidade do Estado da Bahia (UNEB)

    •    Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

    •    Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB)

    •    Centro Universitário FG (UniFG)

    •    Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP)

No ensino privado, a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública se consolida como a instituição de melhor desempenho no estado, não apenas pelo resultado obtido no ENAMED 2025, mas também pela consistência e regularidade histórica em avaliações oficiais, como ENADE, CPC e IGC.

Desempenho satisfatório e desafios da expansão

Com conceito 3, considerado satisfatório pelo MEC, aparecem cursos como Unifacs, UFRB e Afya Guanambi, que se posicionam dentro do patamar esperado. Esses resultados refletem um cenário de consolidação em curso, típico de sistemas de ensino que passaram por rápida expansão nos últimos anos.

Já a faixa crítica, com conceitos 1 e 2, concentra-se majoritariamente no segmento privado e permanece sob acompanhamento do MEC, dentro de um processo nacional de ajuste e qualificação da oferta. Na Bahia, aproximadamente 48% dos cursos estão nessa faixa, um índice acima da média nacional (30%), indicando desafios específicos de regularização e aprimoramento da qualidade.

Bahia em números no ENAMED 2025

    •    Cursos avaliados: aproximadamente 25

    •    Conceito 5: 3 cursos → 12%

    •    Conceito 4: 7 cursos

    •    Conceito 3: 3 cursos

    •    Conceitos 3 a 5 (satisfatórios ou superiores): ~52%

Embora o percentual de cursos baianos com conceitos satisfatórios seja inferior à média nacional de 70%, o estado demonstra força nas faixas superiores, sobretudo com a interiorização de excelência no ensino público e a consolidação de instituições privadas de referência.