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Tambor conduzido por mulheres: Filhas de Gandhy levam 60 percussionistas e mil foliãs à avenida no Carnaval 2026

Tambor conduzido por mulheres: Filhas de Gandhy levam 60 percussionistas e mil foliãs à avenida no Carnaval 2026
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

14/02/2026 1:25pm

Foto: Divulgação / Toca Comunicação

As Filhas de Gandhy prometem protagonizar uma das apresentações mais marcantes do Carnaval 2026. O afoxé feminino levará para a avenida 60 mulheres na percussão, abrindo o cortejo, 150 dançarinas na Ala de Dança e 60 baianas — ala tradicional que reafirma ancestralidade, memória e a força simbólica construída ao longo da trajetória do grupo.

Guiadas pelo tema “Òrìṣá AYÀN nos Abençoou”, as Filhas celebram o orixá dos tambores e colocam o ritmo como eixo central da narrativa artística. O desfile transforma o som em linguagem cultural viva, conectando espiritualidade, tradição e expressão coletiva em uma ocupação potente da avenida por mulheres.

No sábado, a condução vocal será comandada pela cantora Tati Brito, que assume a linha de frente musical do cortejo. Já na segunda-feira, a voz das Filhas será conduzida por Nany Lessa, que também receberá participação especial de Tati Brito, reforçando o encontro de vozes femininas que sustentam a narrativa do afoxé no Carnaval 2026.

Com trajetória iniciada em 2009, Nany Lessa construiu sua caminhada a partir de um gesto de fé e diálogo entre espiritualidade e devoção popular, ao levar comunidades de matriz africana para acompanhar o Bloco Oxum, em Aracaju. Desde então, sua voz se consolidou como expressão de ancestralidade, resistência e identidade cultural, especialmente em projetos que valorizam o tambor, o canto e as tradições afro-brasileiras.

O Carnaval 2026 marca ainda um novo capítulo para as Filhas de Gandhy ao unir tradição, sustentabilidade e inovação. A fantasia reverencia o tambor como elo entre continentes e culturas, simbolizando a conexão entre África, Américas, Ásia e Europa por meio dos instrumentos que inspiram o figurino.

No campo ambiental, turbantes, tiaras, bolsas e faixas são confeccionados com o reaproveitamento de resíduos têxteis do próprio corte da fantasia, incentivando práticas de consumo consciente. A inovação tecnológica também ganha destaque com a NVC, desenvolvida em parceria com o SENAI Cimatec**, que permite ao público acessar conteúdos audiovisuais sobre a história e a relevância cultural do grupo ao apontar o celular para o figurino.

Criada exclusivamente para mulheres, a fantasia reafirma o protagonismo feminino na condução do ritmo, da memória e da festa. Com percussão, dança, canto e tradição conduzidos por mulheres, o desfile reunirá cerca de mil foliãs e promete uma apresentação que consolida o Carnaval 2026 das Filhas de Gandhy como um encontro entre passado e futuro, onde o tambor ancestral pulsa em sintonia com novas tecnologias e práticas sustentáveis.

O projeto conta com apoio do Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo do Estado por meio da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA) e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), que desde 2008 concede apoio financeiro a blocos afro, afoxés e grupos culturais para participação em festas populares.