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Juliana Ribeiro será madrinha dos Palhaços do Rio Vermelho e celebra o samba como liberdade

Juliana Ribeiro será madrinha dos Palhaços do Rio Vermelho e celebra o samba como liberdade
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

26/01/2026 7:15pm

Foto: Mariana de Paula

A escolha de Juliana Ribeiro como madrinha e rainha dos Palhaços do Rio Vermelho em 2026 representa mais do que um posto simbólico dentro de um dos desfiles mais singulares do verão de Salvador. Para a cantora, compositora e pesquisadora, o convite chega como um gesto de afeto e reconhecimento, conectando sua trajetória artística à força da cultura popular, da rua e do samba, linguagem que atravessa sua história pessoal e profissional. Ao seu lado, o compositor Nelson Rufino divide o protagonismo de um ano especialmente marcante.

A edição de 2026 ganha contornos ainda mais significativos ao celebrar os 110 anos do samba, elemento central na formação cultural brasileira e eixo estruturante do desfile. Para Juliana, assumir esse papel em um ano simbólico reforça o sentido coletivo da festa. Ela destaca que os Palhaços do Rio Vermelho se firmaram como uma manifestação genuína, autoral e profundamente ligada à memória do bairro, resgatando o espírito dos antigos bandos anunciadores e convidando as pessoas a ocuparem as ruas não apenas com fantasia, mas com identidade.

Na visão da artista, o palhaço carrega um significado que vai além do lúdico. É uma figura que representa liberdade, desprendimento e a possibilidade de expressar, sem filtros, o que há de mais verdadeiro em cada um. A palhaçaria, segundo ela, não esconde, mas revela: traz à tona a brincadeira, a criança interior e a potência do riso como gesto de resistência e encontro.

O desfile deste ano também presta homenagem, in memoriam, a Clementino Rodrigues, o Riachão, um dos maiores nomes do samba baiano e brasileiro. A conexão entre o legado do mestre e os Palhaços do Rio Vermelho é vista por Juliana como uma escolha sensível e coerente, que reafirma o samba como fio condutor da festa e como patrimônio vivo da cidade.

Após acompanhar o movimento por muitos anos, a artista celebra a chegada a esse novo lugar com gratidão e responsabilidade, preparando-se para vivenciar o cortejo com entrega e emoção. Para ela, assumir a madrinhagem é contribuir para tornar a celebração ainda mais potente, sem perder o caráter espontâneo e popular que marca o desfile desde sua criação.

O Desfile dos Palhaços do Rio Vermelho acontece no dia 31 de janeiro e, após mais de uma década de existência, consolida-se como uma celebração multilinguagem, intergeracional e profundamente enraizada na cultura de Salvador. Em 2026, a data passa a integrar oficialmente o Calendário de Eventos do Município, instituindo o Dia Municipal do Desfile dos Palhaços do Rio Vermelho, reconhecimento à relevância cultural e simbólica da iniciativa.

Com concentração na Rua da Paciência e encerramento na Rua Fonte do Boi, o cortejo percorre a orla do bairro com alas de grupos culturais, fanfarras, percussão e estações musicais fixas, transformando o Rio Vermelho em um grande palco a céu aberto. Mais do que um desfile carnavalesco, os Palhaços celebram o samba, a cultura popular e o direito coletivo à alegria — valores que, sob a madrinhagem de Juliana Ribeiro, ganham ainda mais luz, emoção e liberdade.