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Anitta celebra a divindade feminina no Ato III de “Equilibrivm”

Anitta celebra a divindade feminina no Ato III de “Equilibrivm”
Ana Virgínia Vilalva

Ana Virgínia Vilalva

29/04/2026 6:10pm

Foto: Mar+Vin


A sequência audiovisual do álbum Equilibrivm ganha um novo capítulo: nesta terça-feira (28), Anitta lançou “Deus Mãe”, terceiro ato do projeto visual embalado pelas faixas “Mandinga” e “Nanã”. A produção reúne participações de Marina SenaRincon Sapiência e King Saints e propõe uma reflexão sobre liberdade feminina e espiritualidade de matriz afro-brasileira.

Segundo a cantora, o novo ato começa convocando mulheres a romper amarras ao som de “Mandinga” e termina celebrando a sabedoria ancestral associada à orixá Nanã. A diretora criativa Nídia Aranha reforça que o projeto desloca a ideia de divindade para além da visão patriarcal, propondo uma deidade feminina geradora de si e do mundo.

Em “Mandinga”, a narrativa visual apresenta estruturas masculinas de poder dominando o início do filme. Nesse cenário, Anitta e Marina Sena aparecem presas em uma gaiola de madeira, símbolo de opressão. Ao longo da música, forças ancestrais inspiradas na mitologia iorubá quebram esse feitiço e libertam as artistas, que passam a trilhar seus próprios caminhos. A faixa dialoga com a letra dividida em duas partes: a primeira aborda sedução e conquista com o sample de Canto de Ossanha, de Vinícius de Moraes e Baden Powell; na segunda metade, Marina Sena transforma o clima em um manifesto de empoderamento.

Já “Nanã” conduz a segunda parte do medley visual e evoca Nanã Buruquê, a mais antiga das orixás, associada à criação, à lama e ao ciclo da vida. No vídeo, a figura da divindade é representada por uma senhora vestida em tons lilás e roxo esculpindo o mundo a partir do barro, reforçando a ideia de uma deusa criadora e da centralidade do feminino na origem da vida.

Rincon Sapiência destacou a importância de levar a espiritualidade afro-brasileira para um grande público, enquanto King Saints celebrou a participação no que considera um projeto maduro e com potencial internacional.

Os figurinos também desempenham papel essencial na narrativa. Em “Mandinga”, criações do estilista paraense Labô Young utilizam folhas, palhas e sementes em diálogo com saberes ancestrais. Em momentos-chave, Anitta e Marina Sena aparecem com looks inspirados nas Rainhas das Matas, coletivo de mulheres trans e travestis da Ilha do Marajó que produz figurinos com elementos naturais em defesa do meio ambiente. Já em “Nanã”, tons roxos, acessórios orgânicos e tecidos naturais evocam barro, terra e folhas molhadas, reforçando a conexão com a natureza e a ancestralidade.