Finanças

Capital externo recorde na B3 supera todo o resultado de 2025 já em janeiro

Capital externo recorde na B3 supera todo o resultado de 2025 já em janeiro
Camilly Oliveira

Camilly Oliveira

04/02/2026 2:13pm

Foto: Reprodução

O investidor estrangeiro abriu 2026 com apetite raro pela bolsa brasileira. Em janeiro, o fluxo líquido de capital externo na B3 somou R$ 26,31 bilhões, valor que, sozinho, supera todo o ingresso registrado ao longo de 2025, quando o saldo ficou em R$ 25,47 bilhões. O número, apurado pela consultoria Elos Ayta, coloca o mês como o maior já registrado na série histórica iniciada em janeiro de 2022 e reposiciona o Brasil no radar dos grandes alocadores globais.

Os dados mostram que o movimento não se limita a operações pontuais. Desconsiderando IPOs e follow-ons, o saldo estrangeiro atingiu exatamente R$ 26,31 bilhões, ao incluir o mercado primário, o montante sobe para R$ 26,47 bilhões, praticamente alinhado ao fluxo total acumulado de 2026 até agora, de R$ 26,87 bilhões. O recorde anterior havia sido fevereiro de 2022, com R$ 24,31 bilhões, o que reforça o caráter excepcional do resultado atual, mesmo em bases comparáveis.

O volume de negociações ajuda a explicar o fenômeno. Em janeiro, investidores estrangeiros movimentaram R$ 421,4 bilhões em compras na B3, o maior valor desde o início do acompanhamento da Elos Ayta, enquanto as vendas alcançaram R$ 395,1 bilhões, segundo maior patamar da série. A leitura da consultoria aponta para uma combinação de fatores: valuations ainda descontados em setores tradicionais, expectativa de normalização do ciclo de juros globais e uma busca mais ativa por diversificação geográfica em um ambiente internacional marcado por riscos concentrados.

Para o público business, o fluxo indica uma reavaliação estrutural do risco Brasil, com impacto direto sobre liquidez, preços de ativos e custo de capital. Relatórios do Bradesco BBI destacam que a América Latina entrou em um ponto mais favorável do ciclo, com fundamentos em melhora e maior diversificação dos fluxos, ainda subestimada pelo mercado. Para 2026, a expectativa é de continuidade do movimento, especialmente se a rotação de recursos dos Estados Unidos para mercados emergentes se mantiver, abrindo espaço para novos ingressos relevantes na Bolsa brasileira.