De Silvia Abravanel a ator de novelas: veja patrimônios de famosos nas eleições
Foto: Rogério Pallatta / SBT / Reprodução As eleições de 2026 colocam nomes conhecidos da televisão, das redes sociais e do entretenimento na disputa por vagas...
Dados da ANBIMA e do Banco Central ajudam a dimensionar o mercado enquanto o crescimento das plataformas digitais coloca orçamento, comportamento e investimentos em discussão.
A expansão das bets colocou um novo componente na relação dos brasileiros com o dinheiro. Para Laura Guimarães, a discussão não deve partir de uma oposição automática entre apostar e investir, mas da compreensão de que as duas atividades cumprem funções diferentes. Enquanto a aposta envolve um evento incerto e admite a perda do valor destinado àquela experiência, o investimento está ligado a objetivos financeiros, prazo, risco, geração de renda ou valorização patrimonial. Confundir essas finalidades, sobretudo quando a expectativa de retorno rápido substitui o planejamento, é um dos pontos de atenção levantados pela especialista.
A dimensão alcançada pelas apostas eletrônicas ajuda a explicar o debate. Estimativa divulgada pelo Banco Central em 2024 apontou que as empresas identificadas no setor receberam, em média, R$ 20,8 bilhões mensais entre janeiro e agosto daquele ano, enviados por aproximadamente 24 milhões de pessoas. O BC ponderou que o volume bruto não corresponde às perdas dos apostadores, já que parcela significativa dos recursos retorna em prêmios. Desde janeiro de 2025, o mercado regulado de apostas de quota fixa também passou a funcionar mediante autorização e fiscalização do Ministério da Fazenda. Paralelamente, a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da ANBIMA em parceria com o Datafolha, indicou que 36% da população possuía algum investimento financeiro e que, em 2025, um quarto dos brasileiros realizou algum tipo de aplicação.
Para Laura, o principal ponto de atenção está no comportamento estimulado por decisões financeiras cada vez mais rápidas. A facilidade de apostar em segundos e a expectativa de recompensa imediata contrastam com uma formação de patrimônio baseada, em geral, na capacidade de poupar, na regularidade dos aportes, na diversificação e no tempo. Isso não permite atribuir às bets, isoladamente, problemas como endividamento ou menor acumulação de patrimônio, mas abre espaço para discutir como o orçamento é distribuído e quais expectativas são depositadas em cada escolha.
Nesse processo, começar a investir não depende necessariamente de grandes quantias. Reserva de emergência, renda fixa, fundos, ações, ETFs, previdência, seguros e outros instrumentos podem integrar um planejamento conforme objetivos, prazo, liquidez e tolerância ao risco — sem que essas possibilidades representem uma recomendação individual. A especialista propõe uma reflexão simples: quem consegue reservar regularmente R$ 100 para apostar também pode avaliar a destinação de uma parcela do orçamento à construção de patrimônio. A diferença está menos na quantia inicial e mais na finalidade: em vez de buscar um resultado extraordinário e imediato, transformar constância, organização e informação em parte da estratégia financeira.
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