Foto: REUTERS/Gintare Karpaviciute
Campeão olímpico no slalom gigante, o esquiador brasileiro era um dos favoritos na prova desta segunda-feira, mas não concluiu a primeira descida e se despediu da competição.
Uma queda na primeira descida do slalom, nesta segunda-feira, encerrou o sonho de Lucas Pinheiro de deixar os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina com duas medalhas. Em um dia de forte neve em Bormio, o campeão olímpico do slalom gigante entrou na pista como um dos favoritos ao ouro, mas escorregou em uma curva e ficou fora da disputa.
Diferentemente do slalom gigante, prova em que abriu a pista e construiu a histórica vitória, Lucas foi o sexto atleta a descer no slalom. Ele começou com tempo acima do então líder, Atle Lie McGrath, mas acelerava e melhorava suas parciais. Na metade do percurso, porém, perdeu a aderência em uma curva, escorregou e não conseguiu completar a descida. Como o resultado final soma os tempos das duas passagens, a eliminação veio de forma imediata.
Após deixar a competição, o brasileiro destacou as dificuldades impostas pelas condições climáticas. A neve caiu de forma constante desde o início da prova, reduzindo a visibilidade e tornando a leitura do terreno ainda mais desafiadora.
“A visibilidade é difícil. Você não tem ajuda para ler a textura e o terreno da neve, então precisa se conectar com o coração e esquiar com intuição. Consegui isso na metade da corrida, mas quando tentei criar mais velocidade, deixei a disciplina de lado e não estava tão determinado na técnica”, analisou.
Ao todo, 96 atletas largaram na primeira descida, mas apenas 44 avançaram para a segunda etapa. Cinquenta competidores não concluíram a prova por quedas ou perda de portas, e dois foram desclassificados — números que evidenciam o grau de dificuldade da disputa.
Apesar da frustração no slalom, Lucas já havia garantido seu lugar na história do esporte brasileiro. No último sábado, ele conquistou o ouro no slalom gigante, superando favoritos e fechando as duas descidas com o tempo total de 2min25s, 0s58 à frente do suíço Marco Odermatt, segundo colocado.
Nascido em Oslo, na Noruega, Lucas é filho de mãe brasileira e trocou a nacionalidade esportiva em 2024, após integrar a delegação norueguesa nos Jogos de Pequim 2022. Desde que passou a defender o Brasil, acumulou pódios em etapas da Copa do Mundo e assumiu como missão elevar o patamar olímpico de um país sem tradição na neve.
Em Milão-Cortina, o objetivo foi alcançado com autoridade — e com o hino brasileiro tocando no ponto mais alto do pódio.