Bandeira verde retorna em outubro e elimina cobrança adicional na conta de energia
A conta de luz voltará a operar com bandeira verde em outubro, encerrando um período de cinco meses de cobrança adicional aos consumidores. A mudança foi anunci...
Fenômeno considerado um dos mais intensos das últimas décadas pode afetar agro baiano
Por Vagner Ferreira, colaboração para a Let's Go Bahia
A Bahia deve enfrentar um El Niño de forte intensidade entre outubro e dezembro, com previsão de temperaturas acima da média e chuvas abaixo do esperado em parte do estado. O cenário coloca em alerta setores diretamente dependentes das condições climáticas, como a agricultura – com destaque para a produção de algodão –, os recursos hídricos, a silvicultura e o combate aos incêndios florestais.
Uma projeção publicada pelo Climate Impact Lab em setembro de 2026 aponta o Brasil entre os países mais afetados pelo fenômeno e estima aumento de 44% nos dias de calor extremo no país. Na Bahia, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê temperaturas acima da média em grande parte do Nordeste, cenário que pode intensificar a estiagem, aumentar a demanda por água e favorecer a ocorrência de incêndios florestais.
Também são esperadas chuvas abaixo da média em grande parte do estado, especialmente no MATOPIBA, região que inclui o oeste baiano.
O meteorologista do Inmet Thiago Barros ressalta que ainda não é possível afirmar se o fenômeno provocará perdas ou uma quebra generalizada na safra do ‘ouro branco’ – matéria-prima que o Brasil lidera nas exportações, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O oeste baiano, segundo ele, merece atenção pela importância agrícola da região e pelo início do período de implantação das culturas de verão.
A disponibilidade de água é fundamental para o estabelecimento e o desenvolvimento das lavouras de algodão, soja e milho. Barros explica que um período de deficiência hídrica pode reduzir o crescimento das plantas, aumentar a necessidade de irrigação e elevar os custos de produção. O impacto sobre a produtividade, porém, dependerá da duração e da intensidade do déficit hídrico e das condições de manejo adotadas pelos produtores.
Para a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa, o cenário exige acompanhamento das condições climáticas, mas não justifica mudanças antecipadas na estratégia de produção. O setor, segundo ela, monitora os riscos e deve manter atenção à janela de plantio.
“Para o Oeste da Bahia, o El Niño significa risco de chuva irregular e atrasada. Então, a primeira decisão é não atrasar o plantio esperando confirmação: respeitar a janela, ter o solo bem estruturado e com água armazenada antes do plantio. A segunda é escalonar variedades de ciclos diferentes e o plantio distribuído dentro da janela. Depois, vem o acompanhamento meteorológico e o controle rigoroso de pragas”, pontuou.
Alessandra destaca ainda que a capacidade de enfrentar uma eventual safra climaticamente adversa depende de planejamento e manejo. “A resposta ao clima é planejamento, tecnologia, manejo e gestão de risco combinados”, afirmou.
O setor também acompanha a pressão fitossanitária. Segundo a presidente da Abapa, “bicudo e mosca-branca continuam sendo riscos importantes e podem ganhar outra dinâmica conforme as condições climáticas”.
Alterações relevantes na produção podem repercutir ainda sobre a cadeia do agronegócio, envolvendo transporte, armazenagem, comércio de insumos e serviços. Para Barros, planejamento da época de plantio, manejo do solo, uso eficiente da irrigação e escolha de cultivares podem reduzir a vulnerabilidade das lavouras em condições climáticas adversas.
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, acompanhado de alterações na circulação atmosférica. Essas mudanças podem influenciar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo.
No Nordeste brasileiro, porém, os efeitos do fenômeno não são automáticos. A resposta depende também da interação com o Oceano Atlântico e com sistemas atmosféricos regionais. “O fenômeno aumenta a probabilidade de certos padrões de chuva e temperatura, mas não determina sozinho o tempo de cada região”, explicou Barros.
O meteorologista destaca que o El Niño também não significa seca em todo o Nordeste. “Seus efeitos variam conforme a época do ano, a região e a interação com outros componentes do sistema climático, como o Oceano Atlântico e sistemas meteorológicos”, acrescentou.
A possibilidade de redução das chuvas e aumento das temperaturas também mobiliza os órgãos de proteção e defesa civil. O diretor da Defesa Civil Nacional, Armin Braun, afirma que um El Niño muito forte pode aumentar as situações de emergência relacionadas à estiagem e aos incêndios florestais.
“Vamos ter redução das precipitações, das chuvas, com o aumento das situações de emergência relacionadas à estiagem e aos incêndios florestais”, afirmou.
Para Braun, a extensão territorial da Bahia e a população exposta à estiagem reforçam a necessidade de planejamento antecipado. “É um estado de grande extensão territorial, com uma área importante do semiárido e grande parte da população vivendo nessa região, o que gera necessidade de tomar ações emergenciais”, disse.
Na Bahia, a preparação vem sendo intensificada desde maio deste ano, conforme o superintendente da Defesa Civil do Estado, Osny Bomfim. As medidas consideram as características e necessidades de diferentes regiões.
No oeste baiano, um dos principais alertas está relacionado à combinação de baixa umidade, ventos fortes e vegetação sob estresse hídrico. “Toda aquela região de Cerrado já tem enfrentado muitos problemas relacionados a baixa umidade e fica entre 12 a 20%, com ventos muito fortes. Então, há um estresse da vegetação, e temos visto muitos incêndios florestais acontecendo ali e precisamos evitar”, disse Bomfim.
A estiagem também preocupa a agricultura familiar. Segundo Braun, a Bahia tem quase 600 mil famílias nesse segmento, especialmente vulneráveis aos efeitos da falta de água.
Em relação aos incêndios em áreas plantadas, o Corpo de Bombeiros iniciou a preparação para o período de estiagem de forma antecipada, com planejamento que incluiu a antecipação da Operação Florestal. Também foram adotadas medidas de articulação entre órgãos estaduais, federais e municipais para preparar a resposta aos incêndios florestais. As prefeituras atuaram na formação de brigadas de voluntários, contribuindo para ampliar o efetivo disponível para o combate ao fogo.
A conta de luz voltará a operar com bandeira verde em outubro, encerrando um período de cinco meses de cobrança adicional aos consumidores. A mudança foi anunci...
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A revisão, apresentada ...
R$ 16,8 milhões chegaram a restaurantes da Bahia por meio das linhas de crédito do iFood Pago entre agosto de 2025 e agosto de 2026. Os recursos podem ser direc...