Entre trailers e picadeiro, famílias do Circo Portugal conciliam estudo, trabalho e viagens
Diretora artística Michele França, da sexta geração de uma família circense, conta como crianças e adultos organizam a vida na estrada.
Foto: Divulgação
Antes de entrar no picadeiro, os artistas do Circo Portugal Internacional têm compromissos que se parecem com os de qualquer vizinhança: estudar, trabalhar e cuidar da casa. A diferença é que essa comunidade se desloca pelas estradas do país. Em temporada em Salvador, a companhia reúne cerca de 100 profissionais, entre artistas, técnicos e equipe administrativa, e mantém uma tradição que atravessa sete gerações desde sua fundação, em 1890, na cidade portuguesa de Braga.
Michele França conhece essa rotina desde a infância. Integrante da sexta geração de uma família circense, ela é mágica, bailarina e ocupa a direção artística há mais de 15 anos. “As crianças estudam, cada um tem sua casa, o seu trabalho e os seus compromissos. É como se fosse uma vizinhança”, conta. A proximidade com o trabalho dos adultos também aparece nas brincadeiras dos filhos, que observam os números e experimentam o universo do circo antes de uma eventual escolha profissional. Para Michele, as viagens permitem conhecer diferentes culturas e construir vínculos em cada cidade.
A mudança de endereço exige uma operação que envolve 40 trailers e 20 caminhões. A cada parada, a montagem leva de três a quatro dias. Segundo a companhia, a estrutura em Salvador reúne mais de 900 toneladas de equipamentos, ambiente climatizado, palco suspenso e capacidade para cerca de mil espectadores por sessão. Entre os deslocamentos, as famílias conciliam ensaios, apresentações, estudo e vida pessoal.
Na capital baiana, os espetáculos acontecem de segunda a sexta-feira, às 20h. Aos sábados, domingos e feriados, há sessões às 15h, 17h30 e 20h. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site circoportugal.com.br ou na bilheteria.