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O psicólogo e escritor Alexander Bez analisa os impactos dos reality shows na saúde mental

Especialista alerta para riscos psicológicos do confinamento, como ansiedade, estresse pós-traumático e prejuízos nos vínculos sociais

O psicólogo e escritor Alexander Bez analisa os impactos dos reality shows na saúde mental
João Costa

João Costa

27/02/2026 2:24pm

Foto: Acervo Pessoal

O confinamento prolongado, característica central dos reality shows, representa um risco significativo à saúde mental dos participantes. A avaliação é do psicólogo, escritor e palestrante Alexander Bez, especialista em comportamento humano e transtornos emocionais, que há anos estuda os efeitos da pressão psicológica extrema sobre o indivíduo.

Segundo Bez, o confinamento não é uma experiência saudável sob o ponto de vista psicológico. “Não existe confinamento saudável. A exposição contínua à tensão, à vigilância constante e à competitividade intensa pode desencadear transtornos como ansiedade, depressão e até estresse pós-traumático”, afirma.

Fórmula desgastada e impacto psicológico crescente

Para o especialista, além dos danos individuais, o próprio formato dos reality shows apresenta sinais claros de desgaste. “Estamos falando de um modelo que se repete há mais de duas décadas. A fórmula se mantém, mas as exigências psicológicas aumentam. As provas são cada vez mais extremas, a pressão é constante e o impacto emocional é profundo”, analisa.

Bez compara a experiência a ultrapassar os próprios limites existenciais. “É como alguém que sabe que não pode ir a uma montanha-russa com looping, mas é forçado a ir. O participante rompe sua zona de segurança emocional repetidamente.”

Gatilhos emocionais e agravamento de transtornos

De acordo com o psicólogo, os reality shows não criam transtornos mentais do zero, mas ativam e intensificam vulnerabilidades pré-existentes. “Ansiedade, compulsões, distúrbios alimentares, transtornos do sono e problemas relacionais podem ser desencadeados ou agravados pela experiência”, explica.

Estudos discutidos em congressos internacionais de psicologia, segundo Bez, apontam que participantes que desenvolvem transtornos mentais após o confinamento podem precisar de cinco a seis vezes mais tempo de terapia do que o período em que permaneceram no programa.

“O estresse é um agente externo poderoso. Ele potencializa qualquer tendência psicológica que já estava ali, ainda que adormecida”, destaca.

Perda de confiança e prejuízo nas relações sociais

Outro ponto crítico abordado pelo especialista é o impacto social pós-reality. Para ele, a lógica do jogo compromete a confiança interpessoal. “As alianças são estratégicas, não reais. Isso pode gerar, depois, uma dificuldade profunda de confiar nas pessoas no mundo real.”

Segundo Bez, muitos participantes passam a viver em estado de vigilância constante após o programa. “A sensação de estar sempre sendo observado, julgado ou avaliado permanece, afetando relacionamentos pessoais, profissionais e afetivos.”

Fama, dinheiro e o custo emocional

Embora os reality shows ofereçam visibilidade e ganhos financeiros, o psicólogo alerta para o alto custo emocional envolvido. “O dinheiro não compra saúde mental. A fama vem acompanhada de cobranças sociais intensas, cancelamentos, julgamentos públicos e exposição emocional extrema.”

Ele ressalta ainda que pessoas com histórico psiquiátrico ou uso contínuo de medicação deveriam ser avaliadas com ainda mais rigor antes de entrar em um confinamento desse tipo.

Autenticidade sob pressão é uma ilusão

Para Bez, a ideia de que participantes conseguem ser 100% autênticos dentro de um reality show é um mito. “Não existe autenticidade plena sob vigilância constante. Todos atuam, mesmo sem perceber. A pressão externa molda comportamentos.”

O especialista reforça que a experiência se aproxima mais de um experimento social negativo do que de algo benéfico à saúde emocional. “A vida já impõe desafios suficientes. Não é preciso criar mais adversidades em troca de um prêmio.”

Consequências após o fim do programa

Segundo o psicólogo, os sintomas mais graves costumam surgir após o término do reality. “É quando a ficha cai. Podem aparecer quadros de ansiedade severa, depressão, estresse pós-traumático e dificuldades profundas de adaptação à vida real.”

Por isso, ele defende acompanhamento psicológico e médico após a participação. “É fundamental entender que nem tudo é ganho. Saber perder, elaborar frustrações e reconstruir a própria identidade fora da lógica do jogo é essencial.”

Reflexão necessária

Para Alexander Bez, o maior aprendizado que um participante pode levar de um reality show é simples, mas duro: “Nem todo ambiente é seguro para se abrir emocionalmente. Existem espaços certos para o cuidado psicológico, e a exposição pública não é um deles.” Saiba mais sobre o especialista no Instagram: @alexanderbezoficial


Alexander Bez atua como pesquisador, especialista em distúrbios emocionais e é autor de quase dez livros, publicados no Brasil e no exterior, entre romances, obras de autoajuda e estudos sobre comportamento humano. Para ele, a literatura funciona como uma extensão do cuidado psicológico, alcançando leitores de forma acessível e reflexiva.

Entre os títulos estão:

 

  • Inveja: o Inimigo Oculto
  • O que Era Doce Virou Amargo — considerado “a Bíblia dos Relacionamentos”
  • Trilogia Encantos da Mulher: A Magia da Beleza Feminina e A Paixão e Seus Encantos (Editora Juruá)
  • What You Don’t Know About COVID-19 – The Mortal Virus (Liferich Publishing, EUA)
  • Scientific Denialism – COVID-19 Vol. 2
  • A Seita Sexual de Puff Daddy (Diddy): Fama, Poder & Dinheiro (em produção nos Estados Unidos)
  • A Magia da Sensualidade Feminina, continuação da trilogia sobre autoestima feminina.


Sobre

Alexander Bez é formado em psicologia com especialização em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela Universidade da Califórnia, além de especialização em Relacionamentos pela Universidade de Miami. O especialista também atua como escritor e palestrante, com foco em relacionamentos, transtornos emocionais e dinâmicas afetivas.