Cinema

O trailer de “Michael” sabe onde pisa, e onde não quer pisar

O trailer de “Michael” sabe onde pisa, e onde não quer pisar
Camilly Oliveira

Camilly Oliveira

02/02/2026 6:45pm

Foto: Reprodução / Michael O Filme

O primeiro trailer do filme "Michael" estreou nesta segunda-feira (02/02). Em vez de colar sucessos ou apostar na exaltação, a prévia prefere a contenção e trata o personagem com certa distância crítica, como quem reconhece que Michael Jackson sempre foi maior do que qualquer tentativa de síntese. O que aparece ali é menos o ídolo acabado e mais o processo que o criou, com fissuras e pressões do processo.

Dirigido por Antoine Fuqua, o filme sinaliza uma narrativa que acompanha a travessia dos Jackson 5 até o início da carreira solo, período decisivo para a construção do Rei do Pop. A escolha de Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, vai além da semelhança física que salta aos olhos no trailer, mas na tentativa de reproduzir presença, ritmo e silêncio, marcas que sempre diferenciaram Michael no imaginário pop.

O que o trailer também deixa evidente é o recorte escolhido. Michael parece interessado em discutir o nascimento de um fenômeno cultural e a engrenagem que o transformou em produto global, sem avançar sobre os episódios mais controversos de sua vida pessoal. Produzido com apoio do espólio, o filme assume estelimite e aposta na força do processo criativo, da disciplina e da solidão que acompanha o estrelato precoce.

Do ponto de vista técnico, o projeto reúne nomes experientes. O roteiro é assinado por John Logan, conhecido por Rango. No elenco, Colman Domingo e Nia Long interpretam os pais do cantor, enquanto Miles Teller surge como John Branca, figura central na gestão da carreira de Michael. A reconstrução de palcos, estúdios e bastidores aparece no trailer como parte essencial da narrativa, sem recorrer apenas à nostalgia fácil.

Com estreia marcada para abril de 2026, Michael entra em cena cercado de expectativa, curiosidade e debate. O trailer aponta para um filme consciente do lugar que ocupa na cultura pop e do risco de revisitar um artista que sempre dividiu fascínio e controvérsia. Se cumprir o que promete, a cinebiografia pode reacender discussões sobre fama, legado e indústria, temas que Michael Jackson nunca deixou de provocar.