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Iniciativas de equidade de gênero ampliam presença feminina em cargos de liderança na indústria

Iniciativas de equidade de gênero ampliam presença feminina em cargos de liderança na indústria
Da Redação

Da Redação

07/03/2025 12:47pm

Foto: Divulgação

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que em 2023 a presença das mulheres em cargos de gestão no setor já representa 39,1%. Políticas internas das empresas têm contribuído para uma maior equidade de gênero e as mulheres passaram a ocupar funções que antes eram majoritariamente masculinas. Na Braskem, por exemplo, as ações com o intuito de promover uma maior participação feminina em posições de liderança atingiram um marco importante este ano: 50% dos cargos de gerentes de produção no Polo Industrial de Camaçari são ocupados por mulheres.

Uma delas é a engenheira eletricista Lorena Medeiros Santana, gerente de Produção da IESE (Industrial, Energia e Serviços Essenciais). Desde 2006 na companhia, ingressou como engenheira júnior na área de automação e subiu vários degraus até chegar à gerência, onde lidera 120 profissionais.

“A indústria ainda é um ambiente bem masculinizado, no entanto há um fortalecimento importante da cultura de diversidade e igualdade. Antes não havia incentivo para mulheres seguirem uma carreira técnica, o que vem mudando, e as mulheres também estão se sentindo mais à vontade neste tipo de carreira. Hoje eu vejo que estamos nos desafiando mais e correndo atrás de nossos objetivos. Além disso, as pessoas não estão mais aceitando certos comportamentos, o que também desencadeia mudanças”, afirma. Ela lembra que nos tempos de faculdade, só havia ela e uma colega de mulheres na sala de aula.

Além dos desafios que o próprio cargo de liderança impõe, Lorena, assim como grande parte das mulheres, ainda precisa dar conta das demandas de outro cargo, muito mais exigente: o de mãe. Para conseguir fazer boas entregas no trabalho e cuidar dos pequenos Fábio, de 5 anos e Malu, de 2 anos, ela diz que conta com uma rede de apoio. O segredo, no entanto, destaca Lorena, é buscar o equilíbrio entre as duas funções.

“Estando em casa é o momento de ficar com meus filhos, brincando e aproveitando em família. Por mais que a gente tenha responsabilidades e precise ficar atenta ao celular, temos que saber equilibrar esses dois lados. O que me ajuda a manter esse equilíbrio é gostar do que faço, ter orgulho das minhas entregas e ter uma boa equipe”, ressalta.

Equidade de gênero - Responsável pelo setor de Pessoas e Organização da Braskem no Nordeste, Ana Luiza Salustino destaca que a empresa vem desde 2017 comprometida com ações para promover a equidade de gênero. “No ano passado, assumimos um compromisso público, com ações orientadas pelos Princípios de Empoderamento da Mulher, da ONU Mulheres e do Pacto Global”, aponta.

Iniciativas estruturantes, principalmente com foco nos pilares de Carreira da Mulher; Maternidade e Paternidade; e Saúde e Segurança, vêm sendo implementadas. Um exemplo é o Elas Braskem, que tem o objetivo de preparar as participantes para desafios mais complexos em suas carreiras. Além disso, o Programa de Estágio Técnico e Universitário da Braskem hoje possui 50% das vagas dedicadas a mulheres.

“Temos também a mentoria reversa, na qual a alta liderança tem a oportunidade de ser aconselhada por pessoas dos grupos minorizados e as Redes de Afinidade de Gênero, um dos principais canais para suporte e desenvolvimento de uma força de trabalho diversa, promovendo um espaço de acolhimento, conhecimento e diálogo. Além disso, nosso Programa Respeito é Inegociável é uma importante iniciativa que visa trazer clareza sobre pontos como discriminação, assédio moral, assédio sexual e micro agressões, através de conceitos e exemplos práticos”, explica Salustino.

Ela ressalta ainda que as iniciativas vêm contribuindo para atingir metas importantes, como o índice de mais de 50% de mulheres nas áreas administrativas na Bahia. Além disso, os esforços também estão colhendo frutos com relação à representatividade feminina nos cargos de liderança e nas carreiras de Operação e Engenharia, que são ambientes ainda de predominância masculina.

“Nas plantas industriais baianas, a presença feminina cresceu para 13,4% e na carreira de Operadora em 2024 superamos nossa meta na Braskem, alcançando 12,7% de mulheres em posições operacionais na Bahia. Fechamos o ano também com a marca representativa de 27,3% de mulheres na liderança. Outro bom exemplo de sucesso das iniciativas é a taxa de retorno após a licença maternidade: em 2014, aproximadamente 65% das mulheres que tiravam licença maternidade retornavam; hoje o retorno é de 95%”, conclui.