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A Via da Educação e da Poesia: a Trilha que Escolhi

Ney Jorge Campello é doutorando em Administração Pública pela Complutense de Madri, mestre em Administração e bacharel em Direito pela UFBA, diretor geral da Universidade Aberta da Associação Comercial da Bahia, professor e consultor educacional e de eventos esportivos, com ampla trajetória como gestor público em Salvador

A Via da Educação e da Poesia: a Trilha que Escolhi
Coluna Business Bahia

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17/05/2026 12:50pm

Foto: Acervo Pessoal

Nasci na Ribeira, talvez o bairro mais bucólico de Salvador. Foi ali, entre o mar, as ladeiras e as profundas desigualdades sociais que marcam a realidade brasileira, que despertei muito cedo para a educação, a literatura e a cultura como instrumentos de consciência crítica, emancipação humana e resistência.

Tive o privilégio de iniciar minha formação em uma escola pública singular e revolucionária para o seu tempo: a Escola Baronesa de Sauípe, no Largo do Papagaio. Inspirada em referências pedagógicas alemãs e, posteriormente, em pensadores como Maria Montessori, Jean Piaget e Carl Rogers, a escola integrava ludicidade, arte, teatro, natureza e desenvolvimento integral da criança. As salas coloridas conviviam com uma pequena horta, um minizoológico e um auditório onde aprendi, ainda menino, que criatividade também é uma forma de liberdade.

Antes dos 12 anos já escrevia meus primeiros versos, marcados por uma visão humanista e libertária. Na adolescência, fundei um grupo de teatro inspirado na pedagogia de Paulo Freire e no teatro político de Augusto Boal. Obras como Pedagogia do Oprimido e Teatro do Oprimido ajudaram a moldar minha compreensão de mundo e a fortalecer a convicção de que educação e cultura são forças transformadoras.

Curiosamente, minha adolescência transcorreu no Colégio da Polícia Militar, nos Dendezeiros. Ali aprendi valores que também marcaram minha trajetória:

disciplina, liderança, oratória, respeito aos mestres e senso de responsabilidade coletiva. Sempre estudei em escolas públicas e foi também na educação pública que me formei em Direito pela Universidade Federal da Bahia. Mais tarde, iniciei estudos em Pedagogia na Faculdade Olga Mettig — curso que não concluí formalmente, mas que consolidou definitivamente minha vocação educacional.

No ambiente da militância estudantil e comunitária, fui eleito, em 1982, o vereador mais jovem entre as capitais brasileiras. Iniciava-se ali uma longa trajetória na vida pública, sempre vinculada ao campo progressista. Ao longo dos anos, exerci funções como Secretário Municipal de Educação de Salvador, Secretário de Estado para a Copa do Mundo FIFA 2014 na Bahia, Vice-Presidente

Nacional de Agências e Varejo dos Correios, Superintendente Estadual de Educação e Secretário de Ações Estratégicas de Lauro de Freitas, entre outras responsabilidades.

Paralelamente à vida pública, atuei como consultor e empreendedor nas áreas de educação, saneamento, esporte e meio ambiente. Concluí o mestrado em Administração pela UFBA e sigo aprofundando meus estudos acadêmicos como doutorando pela Universidad Complutense de Madrid. Lecionei e coordenei cursos de graduação em diversas instituições da Região Metropolitana de Salvador e, mais recentemente, coordenei o Núcleo de Educação e Cultura da Associação Comercial da Bahia. Atualmente, dirijo a Universidade Aberta da ACB.

A educação continua sendo minha principal potência de agir. Talvez por isso, depois dos 60 anos, publiquei meu primeiro livro de poemas, Tricô, obra premiada por uma academia literária paulista. Em um de seus versos escrevi: “Importa tecer, não importa quando.” Essa frase resume muito da minha própria trajetória: a crença de que sempre é tempo de aprender, criar e recomeçar.

Hoje, também curso Filosofia pela Centro Universitário Internacional Uninter, integro academias culturais e literárias e exerço funções ligadas à tradição filosófica e simbólica da maçonaria baiana. Mas, acima de qualquer título ou função, meu maior legado são meus três filhos — razão mais profunda da minha caminhada.

Sigo sendo um buscador. Um peregrino da educação, da cultura e da poesia. Afinal, como escrevi em um pequeno poema que me acompanha:

“Caminhantes, não há destino, porto ou parada. Só o fascínio, o desatino, da infinita caminhada.”