Quando um casal comemora 50 anos de casado tem-se o simbolismo de comemorar bodas de ouro. Bodas de ouro simbolizam um amor durável, valioso e resistente como o próprio ouro, representam meio século de união, perseverança, compromisso e cumplicidade. Quando uma empresa comemora 50 anos de fundação fazendo uma analogia comemoramos as Bodas de Ouro Corporativa. Um marco, sim um grande marco. Um marco de solidez e história. Um marco de contribuição para indivíduos, empresas, comunidade, enfim para todos seus Stakeholders.
E este ano, a Organiza – Consultoria de Gestão Empresarial faz as suas Bodas de Ouro Corporativa. E eu estou nessas Bodas e eu também estou fazendo Bodas.
Em junho de 1976, Paulo Lopes, um visionário, persistente e teimoso executivo junto com amigos, fundou a Organiza. De perfil forte, seguro e determinado Paulo buscou um local onde pudesse seguir a sua filosofia e estilo independente e audacioso de fazer o que acreditava e da forma que acreditava ser o melhor. Os amigos seguiram com grande contribuição, mas cada um seu caminho. Anos depois eu chego para contribuir com a continuidade e o legado que a Organiza foi predestinada e fazer.
Durante esse período vivemos todas as mudanças e a transformação que Salvador, Bahia, Nordeste e Brasil passaram no seu desenvolvimento e posicionamento econômico e corporativo. Vimos e presenciamos empresas surgirem, ampliarem, fundirem, serem vendidas, compradas, fechadas, falidas, toda a modalidade que o mercado corporativo defina como movimentação já vivemos e tivemos participação de ambos os lados.
Atuar e contribuir através de um portfólio que foi se ajustando durante essas décadas, mas sem nunca sair do tripé: Seleção de Executivos (atuar como Headhunter), Consultoria em Gestão Empresarial (portfólio que se modifica e adequa durante essas décadas) e Educação Executiva (treinamento e desenvolvimento) nos fez e faz, sem falsa modéstia, contribuir para o desenvolvimento de empresas, pessoas e região.
Eu, após um período atuando em uma multinacional e sendo transferido para São Paulo fiz aquela reflexão que todo bom baiano e soteropolitano faz, será que vale a pena ir? Não fui. O amor pelo salitre, o mar e as atividades que ainda faço nele: surfar, nadar, mergulhar e tudo que ele proporciona falaram mais forte e eu fiquei por aqui. Enquanto estava pensando o que fazer e buscando oportunidades no mercado local, Paulo pediu para ajudá-lo em alguns projetos até eu conseguir alguma coisa. E não é que me identifiquei e gostei das atividades, do modelo de negócio, da liberdade de posicionamento e projetos que atuamos? E fui ficando. E desde esse dia já se foram 25 anos. Confesso que agora parei para fazer as contas e me dei conta: a Organiza faz Bodas de Ouro e eu estou fazendo Bodas de Prata com ela.
E sim, durante esses anos pude dar sequência a esse legado além de contribuir trazendo outras visões, perspectivas e tecnologia a um sempre atualizado portfólio, mas sem deixar de lado o clássico e tradicional que funciona. Acreditar na Bahia e em Salvador é o que ainda me estimula e move todos os dias a buscar essa continuidade. Confesso que não é fácil. Os que as administram, confesso, que não ajudam muito. Mas, aí é um outro papo e visão. Não é fácil ouvir em algumas situações perguntarem de onde sou e de onde a empresa é. E simplesmente por causa do nosso formato de atuação e tratamento.
Há alguns anos atrás, confesso, que busquei uma pulverização e ampliação de nossas atividades e portfólio, mas os desafios foram grandes. A mentalidade de que santo de casa não faz milagres, mesmo com os milagres provados e comprovados, ainda sermos surpreendidos por empresas Baianas buscarem soluções de fora e a curto prazo se decepcionarem pelos resultados dessas “estrangeiras” e do não conhecimento do mercado local. Em alguns projetos somos esses “estrangeiros”, mas o conhecimento e domínio local, confesso que para negócios locais ainda é um diferencial. Fiquei feliz quando o Business Bahia e o selo Made in Bahia reforçaram o posicionamento e valorização do nosso mercado, de produtos e serviços. Mas, após o Covid e algumas reflexões mudei um pouco o nosso posicionamento e abordagem.
O ímpeto da juventude (que passou), e os cabelos brancos que chegaram (que também estão começando a rarear, não os brancos, mas os cabelos) me fizeram rever o posicionamento e o nosso portfólio. Somos o que o mercado chama de boutique (empresa tocada e liderada pelos sócios) e vamos continuar a ser.
Enfrentar a concorrência (desde que seja saudável), novas tecnologias (IA´s para tudo que é lado), executivos e empresários acharem que sabe como fazer (mas, seus resultados não são o que esperam), gerações diversas convivendo nas organizações (grande desafio), líderes que acham que sabem e que querem fazer de tudo menos a gestão de Pessoas), CEO´s e Rh´s que ainda não se posicionam que pessoas é a área mais importante da empresa (Rh é estratégico e não backoffice), softwares e app´s e tudo que imaginar para todas as soluções possíveis (e até de problemas que você nem imaginava que tinha) e posso citar outros desafios que temos como consultor e empresário.
Nosso portfólio ainda foca em Executive Search, atuando como Headhunter, mas a área de consultoria muda um pouco, pois passamos a atuar como Co-Gestor. Por que dessa mudança? Pelo simples fato de que algumas empresas ou executivos ainda não estarem preparados, de alguma forma, para fazerem as mudanças necessárias e para isso ao invés de somente ensinar como fazer, vamos conduzir essa mudança. Estar no dia a dia, junto ao board e tendo uma independência faz os resultados acontecerem mais rápidos.
E revisando alguns momentos nesse artigo, mais uma vez reforço que nada é por acaso. A infância e adolescência livre em Itacimirim e Villas do Atlântico, os esportes (todos que fiz de passagem e os que ainda faço constantemente), as escolas por onde passei, as faculdades e cursos que fiz, as gincanas, as festas, viagens, as ruas, enfim, uma preparação formal e informal que até hoje me trazem frutos e resultados pessoais e profissionais. Agradeço aos meus pais essa liberdade vigiada e responsável que me educaram. Sim, conhecer pessoas, me relacionar, conhecer histórias e estórias foram a base que me formaram como pessoa e profissional. Lógico que sala de aula e livro, e agora internet, ajudam e muito, mas sair, conviver e conhecer pessoas foram e são a base da minha atividade profissional e pessoal. Aprendo muito com todas.
O que esperar daqui para frente? Fazemos, revisamos, ajustamos o nosso Planejamento, mas não somos presos a ele. Somos o nosso beta teste de todos os nossos serviços. Sabemos o que e como as coisas devem ser feitas. Seguimos a nossa cultura e formação pessoal. Contribuir para realizações pessoais e profissionais de pessoas e organizações através do que fazemos nos orgulha muito. Mas, o maior desafio de todos que ainda continua a nos mover diariamente e constantemente ... lidar e conviver com pessoas para juntos transformarmos negócios. E isso só aprende vivendo e convivendo com pessoas, só se aprende estando presente. E isso que nos estimula a continuar e quem sabe chegarmos as Bodas de Ametista....Bodas de Diamante...