Raquel Dodge destaca legado de heroínas baianas durante CONAMP Mulher em Salvador
Último dia do congresso, no Trapiche Barnabé, reuniu história, justiça e representatividade feminina em torno do legado das mulheres na Independência da Bahia.
Foto: Adriano Assis
O legado de Joana Angélica, Maria Felipa e Maria Quitéria ganhou uma leitura contemporânea nesta sexta-feira (21), durante o último dia do 3º CONAMP Mulher, realizado no Trapiche Barnabé, em Salvador. A programação relacionou a participação feminina na Independência do Brasil na Bahia aos desafios que ainda marcam a presença das mulheres nos espaços de poder.
A reflexão esteve no centro da palestra “Reflexos das Heroínas da Independência Baiana na Cultura Feminina Atual”, conduzida pelo historiador Ricardo Carvalho e presidida pela ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge.
Além das três personagens históricas, a apresentação destacou a participação de centenas de mulheres anônimas que contribuíram para o processo de Independência na Bahia no século XIX.
Ao participar do painel, Raquel Dodge defendeu que a memória dessas mulheres também deve servir de inspiração para a atuação contemporânea das instituições do sistema de justiça.
“Não é apenas uma questão de ocupar espaços de poder e de decisão. O que faremos quando estivermos nessas posições em favor das mulheres que hoje são agredidas, das meninas violentadas e daquelas que têm medo de transitar na rua ou voltar para casa, onde ocorre a maioria dos feminicídios?”, questionou Dodge.
A ex-procuradora-geral também chamou atenção para a distância que ainda existe entre os avanços conquistados na legislação e a realidade enfrentada por muitas mulheres.
“Tivemos um grande avanço normativo, mas a igualdade legislada não é a igualdade vivida. As mulheres continuam oprimidas e violentadas”, afirmou a ex-procuradora-geral.
Para Dodge, o Ministério Público possui papel relevante nesse processo. “Se aquelas heroínas souberam o que fazer sem dispor dos instrumentos jurídicos que temos hoje, a lição que fica é que precisamos da mesma coragem e discernimento para agir”, completou Raquel.
Cultura e educação na programação
O encontro também abriu espaço para iniciativas de educação e valorização da cultura afro-brasileira. A programação contou com uma apresentação do projeto “Rei e Rainha Azeviche”, desenvolvido pela Escola Municipal Cônsul Schindler, no bairro de São Caetano.
Criada pela professora de História Cláudia Maria Torres Mattos, a iniciativa trabalha o enfrentamento ao racismo e o fortalecimento da autoestima de estudantes negros por meio de oficinas, estudos e atividades relacionadas à cultura afro-brasileira.
Cerca de 30 estudantes da Escola Municipal Suzana Imbassahy, localizada em Macaúbas, também acompanharam o painel.
Participaram ainda dos debates as promotoras de Justiça Ana Maria Magalhães de Carvalho (MP-PA), Márcia Regina dos Santos Virgens (MPBA) e Marly Barreto de Andrade (MPBA), além da procuradora-geral do Município de Salvador, Isabela Manso Cabral.
O 3º CONAMP Mulher é realizado pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP) e pela Associação do Ministério Público da Bahia (AMPEB), com apoio institucional do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA).