Saúde

Canetas emagrecedoras exigem cuidados no planejamento da gravidez

Especialista do IVI Salvador explica por que o acompanhamento de mulheres que desejam engravidar deve incluir a revisão dos medicamentos e o controle de condições metabólicas.

Canetas emagrecedoras exigem cuidados no planejamento da gravidez
Da Redação

Da Redação

15/10/2026 2:20pm

Foto: Divulgação

O uso de canetas emagrecedoras precisa entrar na conversa com o médico antes das tentativas de gravidez. Substâncias como semaglutida e tirzepatida não devem ser utilizadas durante a gestação, e a interrupção do tratamento exige planejamento, especialmente entre pacientes com diabetes ou outras condições metabólicas. Genevieve Coelho, diretora médica do IVI Salvador, explica que esse acompanhamento deve prever como a saúde da mulher será conduzida após a suspensão. Os prazos variam conforme o medicamento: as informações da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) indicam pelo menos um mês de antecedência para a tirzepatida e dois meses para a semaglutida antes de uma gravidez planejada.

A contracepção também merece atenção durante o tratamento. Para mulheres que utilizam tirzepatida e anticoncepcional oral, a agência reguladora britânica, MHRA, orienta acrescentar um método de barreira ou adotar uma alternativa não oral por quatro semanas após o início do uso e depois de cada aumento de dose. Essa recomendação específica não deve ser estendida automaticamente a todas as canetas emagrecedoras. Segundo a especialista, embora a perda de peso e a melhora de alterações metabólicas possam beneficiar a saúde reprodutiva em determinadas situações, não há evidências suficientes para afirmar que esses medicamentos aumentem diretamente a fertilidade humana.

Nos tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), informar à equipe todos os medicamentos utilizados faz parte da avaliação que orienta as etapas do atendimento. Conforme Genevieve, a decisão sobre quando iniciar o tratamento deve considerar as condições reprodutivas, metabólicas e gerais de saúde da paciente. Se a gravidez acontecer durante o uso das substâncias, é necessário procurar o médico responsável e o obstetra para orientar a suspensão e o acompanhamento. A médica ressalta que a exposição ao medicamento, isoladamente, não determina que haverá uma complicação, mas exige avaliação individual.