Brasil prepara projeto para ampliar acesso à analgesia peridural no parto
Iniciativa será testada em dez maternidades nas cinco regiões do país e busca ampliar o conforto no parto e reduzir cesáreas sem indicação clínica.
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O Ministério da Saúde prepara a implantação de um projeto-piloto para ampliar o acesso à analgesia peridural durante o parto no Brasil. A proposta deverá começar em dez maternidades distribuídas pelas cinco regiões do país, com foco em oferecer maior conforto às mulheres durante o trabalho de parto e contribuir para a redução de cesáreas realizadas sem indicação clínica.
A preparação da iniciativa incluiu uma missão técnica à França, realizada entre 24 e 28 de agosto. A delegação brasileira visitou os Centros Hospitalares Universitários de Lille e Angers, além do Hospital Tenon, em Paris, para conhecer protocolos de assistência obstétrica, especialmente aqueles relacionados à analgesia peridural. A Bahia foi representada pela pesquisadora Mônica Neri, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), que coordena o projeto ao lado de Maria do Carmo Leal, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O projeto parte de uma diferença expressiva no acesso ao procedimento. No Brasil, aproximadamente 12% dos partos utilizam analgesia peridural, percentual que fica em torno de 8% na rede pública e chega a 40% no setor privado. Na França, o índice é de cerca de 85%, enquanto as cesáreas correspondem a aproximadamente 22% dos nascimentos. No Brasil, por sua vez, cerca de 60% dos nascimentos em 2024 ocorreram por cesariana.
Segundo Mônica Neri, as técnicas disponíveis atualmente permitem administrar a analgesia desde o início do trabalho de parto, conforme a escolha da mulher. “É um procedimento seguro para mãe e bebê, permitindo um parto vaginal sem dor, sem precisar recorrer a uma cesárea. Precisamos avançar com o reconhecimento do acesso à analgesia peridural no parto como um direito das mulheres”, afirma. Com a etapa internacional concluída, o próximo passo previsto é colocar o projeto-piloto em funcionamento nas dez maternidades selecionadas.