Exposição da Patek Philippe em Milão combina relógios históricos e edições limitadas
Foto: Divulgação Cerca de 500 relógios compõem a sétima edição da Watch Art Grand Exhibition, apresentada pela Patek Philippe no Palazzo delle Scintille, em Mi...
Avanço do consumo de segunda mão leva grifes a testar plataformas próprias, parcerias e novos modelos para recuperar o controle sobre seus produtos.
O mercado de segunda mão começa a ocupar um espaço que vai além da busca por produtos mais baratos. No setor de luxo, a expansão da revenda passou a colocar em discussão o próprio modelo de relacionamento das marcas com seus produtos depois da primeira venda. Dados reunidos no The State of Fashion 2025 apontaram que, em 2023, as vendas de artigos usados cresceram 15 vezes mais rápido que o varejo de vestuário. O relatório também indicou que 41% dos consumidores interessados em ofertas já recorriam ao mercado de segunda mão e que 60% percebiam maior valor nesse tipo de compra.
O movimento é particularmente relevante entre as grifes. Estudos citados no material apontam crescimento anual de aproximadamente 12% para a revenda de luxo, diante de cerca de 3% no mercado primário. A busca por preços mais baixos é parte dessa expansão, mas não explica tudo. Produtos vintage, edições limitadas e peças que desapareceram das coleções regulares também atraem compradores. Ao mesmo tempo, plataformas especializadas ganharam espaço justamente em uma fase na qual sucessivos reajustes de preço tornaram bolsas, roupas, joias e acessórios novos menos acessíveis para parte do público aspiracional.
Grandes grupos já começaram a testar formas de participar diretamente desse mercado. A Richemont, dona de marcas como Cartier e Piaget, adquiriu a plataforma de relógios Watchfinder em 2018. Burberry, Gucci, Balenciaga e outras maisons também desenvolveram parcerias ou projetos ligados à revenda e a peças de arquivo. A Rolex criou um programa de relógios usados certificados, enquanto a Kering investiu no Vestiaire Collective. Apesar das iniciativas, a presença direta das próprias marcas ainda é limitada: dados citados pela Vogue Business indicam que apenas uma em cada cinco grifes de luxo mantém um canal próprio de revenda e 12% participam de parcerias desse tipo.
Transformar a demanda em um negócio lucrativo continua sendo o ponto mais delicado. Autenticação, armazenamento, logística, avaliação e recondicionamento aumentam os custos de cada peça, enquanto descontos muito pequenos retiram justamente um dos principais atrativos da segunda mão. Empresas como Depop, ThredUp e The RealReal enfrentaram dificuldades para atingir rentabilidade, segundo os dados mencionados no material. A Vinted aparece como uma exceção: registrou lucro líquido de € 17,8 milhões em 2023, depois de prejuízo no ano anterior, apoiada em um modelo sem comissão para vendedores e receitas provenientes de publicidade, pagamentos e serviços de envio. Para as marcas de luxo, o desafio agora é descobrir se a revenda pode deixar de ser uma experiência paralela e se tornar um canal capaz de combinar preço, controle de marca, fidelização e resultado financeiro.
Foto: Divulgação Cerca de 500 relógios compõem a sétima edição da Watch Art Grand Exhibition, apresentada pela Patek Philippe no Palazzo delle Scintille, em Mi...
Foto: Divulgação James Bond e seus adversários agora dividem espaço em uma coleção da Omega. A relojoaria apresentou seis versões do Seamaster Diver 300M, três...
Foto: Renata Marques Em grande estilo e com muita bossa, a joalheira, empresária e embaixadora da marca Casa Granatowicz, Graça Valadares, foi anfitriã d...