Reta final do Enem 2026 exige revisão, treino de redação e descanso
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Arte: Let's Go Bahia
A aprovação, no Senado, do projeto que cria o Exame Nacional de Proficiência em Medicina reacendeu um debate sensível sobre a qualidade da formação médica, a segurança do paciente e os rumos do ensino superior no Brasil. Na edição especial Educação da Let’s Go Bahia, em matéria assinada pela jornalista Juliana Carvalho, especialistas com trajetórias consolidadas analisam a proposta sob diferentes perspectivas e convergem em um ponto central: o exame, isoladamente, não resolve os problemas estruturais da formação médica no país.
Para o hepatologista Dr. Raymundo Paraná, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, o projeto não ataca a raiz do problema. Segundo ele, a expansão acelerada e desordenada dos cursos de Medicina no Brasil comprometeu etapas essenciais da formação. Embora reconheça a importância do debate sobre mecanismos de avaliação, Paraná alerta que uma prova aplicada ao final do curso pode deslocar o foco do aprendizado contínuo, reduzir a centralidade do internato e estimular uma formação excessivamente teórica, sem garantir qualidade nem segurança assistencial.
Na mesma linha, Dr. Humberto Castro Lima, coordenador do curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, pondera que uma prova de múltipla escolha aplicada após a graduação não assegura melhor cuidado ao paciente. Para ele, o risco está em transformar o exame em uma etapa burocrática, incapaz de medir competências clínicas, éticas e humanas. Humberto reforça que qualidade se constrói ao longo de todo o processo formativo, com bons campos de prática, supervisão adequada, professores qualificados e responsabilidade institucional das escolas médicas.
Ambos concordam que a discussão é legítima, mas insuficiente se não vier acompanhada de políticas públicas mais amplas. Entre os pontos destacados estão a necessidade de maior controle na abertura de cursos, fortalecimento da regulação pelo MEC, avaliação contínua das instituições e compromisso efetivo com a formação prática e humanizada.
A matéria evidencia que, mais do que um exame final, o grande desafio da Medicina brasileira está em garantir um sistema educacional que forme profissionais tecnicamente competentes, eticamente responsáveis e preparados para cuidar de pessoas. Um debate que envolve universidades, estudantes, entidades reguladoras e toda a sociedade, e que não se esgota em uma única prova.
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