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Técnica, disciplina e determinação

Vivaldo Amaral - Advogado e Diretor da ACB

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Coluna Business Bahia

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10/07/2021 10:00am

Esses lemas sempre foram meu Norte; não sem motivos acompanham-me desde a tenra idade nas calçadas e becos da querida Cidade Baixa, local onde nasci e me criei. 

Venho de uma família humilde, meu pai era porteiro da Petrobras e minha mãe do lar, ambos semianalfabetos. Lembro do dia que ele, frente a frente comigo, disse-me: “Meu filho, eu vou deixar para você o maior patrimônio do mundo; algo que não enferruja e a terra não come”. Ansioso, perguntei: "É uma casa, um Sinka, um Fusca, pai? (nós morávamos de aluguel e não tínhamos carro”. Em seguida ele respondeu: ”Não, muito melhor. Você vai estudar na escola pública, ela te dará tudo que quiseres no futuro”. Decepcionado, aos seis anos de idade, não entendi aquela mensagem, mas segui o seu conselho. 

Estudei, e muito, no Colégio João Florencio Gomes, localizado no bairro da Ribeira. Já aos 18 anos, passei em três vestibulares, mas como não tinha condições de pagar as mensalidades, fiz o caminho inverso; ingressei no serviço público, prestando concurso, quando tive oportunidade de pagar as primeiras parcelas da faculdade de Direito da UCSAL. Infelizmente, com a mudança do governo estadual na época, os salários do funcionalismo estagnaram, em especial os das Forças de Segurança, das quais fiz parte; daí, inúmeras prestações foram se acumulando, já que nessa época, minha mãe, então viúva, recebia aportes meus para completar os seus parcos recursos. 

Com o risco de interromper minha trajetória estudantil, pois também estudava inglês na ACBEU (Vitória), desesperado, pedi ajuda ao Sr. do Bomfim, cuja irmandade faço parte, que me inspirou a procurar o então Cel Christóvão Rios de Brito, o todo poderoso Chefe da casa militar (CM), do saudoso Governador ACM. Lembro-me como se fosse hoje: coloquei o meu melhor uniforme, engraxei, com afinco, o coturno, cortei meu cabelo e, “de cara dura”, como dizem os mais novos, fui procurar o famoso Coronel. Não o conhecia, apenas de vista; um erro, uma palavra mal colocada, sairia de lá preso, já que fui procurá-lo por conta própria, sem alertar o meu Comandante imediato, transgressão punida severamente na década de 90. Para minha sorte, ao chegar na antessala, quis o destino que a citada autoridade acompanhasse, até a porta de saída do seu gabinete, um parlamentar, dentre tantos que o esperava nos corredores, quando acabara uma audiência. Nesse instante, nossos olhares se trocaram e, para minha felicidade, ele pediu desculpas aos presentes e, sem mais nem menos, me deu preferência, avisando aos presentes que estava fazendo aquilo por estar diante de um oficial da PM fardado e seria rápida a nossa conversa; alertei-o que podia esperar ou voltar outro dia, mais ele foi enfático: ”Pode falar, meu filho". 

Então, contei a minha história, ele ouviu calma e silenciosamente. Ao final, pediu meus boletos (inúmeros) atrasados, meus bolsos estavam cheios, frise-se, e disse que, doravante, trouxesse os vindouros que ele tentaria dar uma solução. E assim foi feito. Passei noites em claro, de tanta alegrias e cumpri promessas a todos os Santos da Bahia. Ao meu segundo pai, aquele que acreditou em mim, eu só desejo paz e saúde, como sempre desejei.  Ao formar, pedi exoneração do Estado, assumi a nova profissão, mas nunca deixei de estudar. Como bem ressalva o estimado Joaci Góes, dileto amigo e referência na minha vida, “o estudo transforma as pessoas”. Nessa toada, fiz diversos cursos (graduação e pós) e, com meus sócios Mateus e Dominique, criamos o Centro de Estudos Jurídicos VIVALDO AMARAL (CEJVA), para estimular e difundir o conhecimento com a sociedade, em especial para os menos favorecidos. Atualmente, na Advocacia, estamos em processo de expansão da nossa Banca para Brasília e São Paulo. Em outros seguimentos, atuo no mercado da pecuária e outros investimentos, sob orientação da competente equipe chefiada por Patrícia Falcão (BP Investimentos); projeto, também, que num cenário pós-pandemia, darei os primeiros passos no ramo de grandes eventos.

Por derradeiro, registro que essa mobilidade social não teria acontecido sem a intersecção de Deus, minha luz; do exemplo de ética, amor e resignação de meus Pais: Vivaldo e Carlinda; dos Espíritos de luzes, especialmente o Cel R/R Christóvão Rios de Brito (minha eterna gratidão), do Dr. Norberto Odebrecht, saudoso companheiro de Rotary, eterna fonte de inspiração, de minha família (esposa e filhos) e de tantos e tantos Amigos, Colegas e Apoiadores que, durante a minha singela escalada, ofereceram-me uma palavra de estímulo, um conselho, um copo d’água ou um prato de comida, para matarem minha sede e fome (e não foram poucas as vezes que tais fatos aconteceram), mas tudo passa, passou! VENI, VIDI e VICI. (César, 47o ac).